terça-feira, 8 de abril de 2014
Médico que descobriu a origem do Down pode ser canonizado
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Cresce autonomia de alunos com deficiência
Secretaria de Educação de São Paulo e Unesp oferecem capacitação gratuita para professores
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Associação de Pais e Amigos dos
Excepcionais (Apae) de São Paulo realizou uma pesquisa com 109 alunos atendidos
pela escola especial da organização para avaliar o desempenho desses estudantes
na transição para escolas regulares e observou uma melhora de 25% em áreas
como a comunicação, autonomia e socialização.
Professora com Down vira exemplo na luta pela inclusão na
escola
Escolas especiais tentam manter alunos e criticam 'inclusão radical'
Entidades criticam inclusão de pessoas com deficiência em escola regular
Escolas especiais tentam manter alunos e criticam 'inclusão radical'
Entidades criticam inclusão de pessoas com deficiência em escola regular
Segundo a autora da pesquisa e
coordenadora pedagógica da Apae de São Paulo, Roseli Olher, a escola especial
que os 109 alunos frequentavam encerrou suas atividades em 2009, em respeito às
então novas diretrizes educacionais do Ministério da Educação (MEC), que
determinaram a extinção das escolas especiais em turno integral. A escola foi
transformada em um centro de apoio especializado, que deve oferecer atendimento
duas vezes por semana aos estudantes matriculados em escolas regulares, no
contraturno.
A pesquisa mostra os resultados
obtidos pelos 109 alunos nas escolas regulares. “Durante três anos, eu fui em
todas as escolas, observava os alunos e acompanhava a transição”, diz Roseli.
Os estudantes tiveram melhoras, de acordo com a pesquisadora, por causa do
contato com alunos sem deficiência. “Convivendo com crianças que falam, pulam e
brincam, eles foram estimulados a ter autonomia, independência, e a fazer
contato com os novos colegas, e por não ter um professor os acompanhando o
tempo todo, eles desenvolveram a capacidade de comunicação”, diz.
Os alunos que participaram da
pesquisa tinham deficiências intelectuais de grau leve (algumas dificuldades
pontuais de aprendizado que necessitam de pequenas adaptações) e moderado (grau
de comprometimento maior, necessitando mais adaptações e mediação maior do
professor). Entre eles, segundo Roseli, 60% apresentaram mais autonomia, 68%
tiveram melhora na socialização, entre 30% a 50% melhoraram a comunicação e 62%
avançaram na questão curricular. Na comparação com alunos que permaneceram em
instituições escolares especiais durante o período de transição, nos aspectos
de autonomia e independência não foi registrada melhora, e a regressão foi de
9%. Durante o período em que foi realizado o estudo, as escolas especiais ainda
estavam em funcionamento.
PNE exige
atendimento de escolas públicas
O Plano Nacional de Educação (PNE) de 2010 estabelece diretrizes e 20 metas para a educação pública no Brasil. O PNE foi aprovado na Câmara dos Deputados em 2012 mas sofreu alterações no Senado que o fizeram retroceder para a Câmara, onde ainda aguarda votação.
O Plano Nacional de Educação (PNE) de 2010 estabelece diretrizes e 20 metas para a educação pública no Brasil. O PNE foi aprovado na Câmara dos Deputados em 2012 mas sofreu alterações no Senado que o fizeram retroceder para a Câmara, onde ainda aguarda votação.
José Francisco Lelot, o Zeca, sempre estudou em
escolas regularesFoto: Acervo pessoal /
Divulgação
No artigo 8º, o PNE estabelece que as
escolas públicas devem garantir “o atendimento às necessidades educacionais
específicas da educação especial, assegurando um sistema educacional inclusivo
em todo os níveis, etapas e modalidades”.
A meta de número 4 do PNE, que trata
da inclusão de estudantes com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e superdotação, apresenta entre outras estratégias para
efetivar a educação inclusiva, a ampliação do atendimento educacional
especializado complementar para os alunos que frequentam a rede regular, a
reforma de prédios escolares para que sejam acessíveis aos alunos com
deficiência e o incentivo à educação inclusiva através da articulação do ensino
regular e do ensino especializado.
No Estado de São
Paulo, a Secretaria Estadual da Educação optou por migrar gradativamente os
alunos da escolas especiais para a rede regular, segundo a coordenadora da
Gestão da Educação Básica do Estado, Elizabete Costa. De acordo com dados da
secretaria, São Paulo tem atualmente 62 mil alunos com deficiência matriculados
em classes regulares na rede estadual. “São alunos com deficiência intelectual,
auditiva, física, surdos, cegos e com transtorno global do desenvolvimento (autistas
em vários graus)”, diz Elizabete.
Autoinclusão
Idely Florence Lelot é mãe de José Francisco, o Zeca, que hoje tem 27 anos. Zeca é portador da síndrome de Down e sempre estudou em escolas regulares. “Ele sempre foi autossuficiente, hoje tem autonomia para ir e voltar do trabalho sozinho”, diz.
Idely Florence Lelot é mãe de José Francisco, o Zeca, que hoje tem 27 anos. Zeca é portador da síndrome de Down e sempre estudou em escolas regulares. “Ele sempre foi autossuficiente, hoje tem autonomia para ir e voltar do trabalho sozinho”, diz.
Idely tem duas outras filhas mais
velhas, e quando chegou a hora de Zeca ir para a escola, ela achou que não
tinha que ser diferente. “Quando ele entrou na escola, não existia a palavra
inclusão”, diz. Ela optou por uma escola particular, com um método pedagógico
diferenciado, sem foco na avaliação. No ensino médio, Zeca passou para uma
escola pública. “No ensino médio da escola particular, ele iria estudar em uma
classe separada, e eu não concordei”, diz. Para Idely, “a inclusão começa com a
autoinclusão". Meu filho é aceito porque sempre se inseriu, como qualquer
outra criança”, declara.
Quando a adaptação
é difícil
Gonçala Mendes do Amaral é mãe de Mateus, 15 anos. Ele é portador da Síndrome de Down e estudava na escola especial da Apae de São Paulo desde que tinha 1 ano e meio. Mateus foi um dos alunos acompanhados pela pesquisa de Roseli. Gonçala conta que o filho não se adaptou à escola regular. “Até hoje me ligam para ir buscar ele, porque não quer ficar até o fim da aula”, diz.
Gonçala Mendes do Amaral é mãe de Mateus, 15 anos. Ele é portador da Síndrome de Down e estudava na escola especial da Apae de São Paulo desde que tinha 1 ano e meio. Mateus foi um dos alunos acompanhados pela pesquisa de Roseli. Gonçala conta que o filho não se adaptou à escola regular. “Até hoje me ligam para ir buscar ele, porque não quer ficar até o fim da aula”, diz.
Ainda segundo a mãe, Mateus adaptou-se
às outras crianças, mas o método é a maior dificuldade: “ele não aprendeu a ler
e nem a escrever, e como todas as atividades são de escrita, ele fica sem fazer
nada”. O menino sente falta das atividades que realizava na Apae e, às vezes,
pede para voltar para a escola antiga. “Ele até se anima para ir para a escola
regular, mas não consegue acompanhar. Na Apae, o foco não era só na escrita,
tinham brincadeiras, passeios, e ele participava”. A mãe diz que frequenta as
reuniões na escola de Mateus, mas nenhum professor lhe diz nada sobre o
desenvolvimento dele. “O foco deles é com os que aprendem”, diz.
“A educação inclusiva é uma mudança
de mentalidade da sociedade”, diz Roseli. “Está posta e não vai voltar atrás.
Eles são pessoas que podem aprender se estimulados, e as medidas aplicadas para
o aluno especial podem ser usadas com todos os alunos, e não só com portador de
deficiência”, explica. Segundo Roseli, o preconceito diminuiu bastante, e hoje
os professores entendem que é um direito do aluno com deficiência e pedem ajuda
para aprender a trabalhar com ele. "Antes, eles simplesmente não aceitavam
o aluno”. A pesquisadora chama a atenção para a importância dos professores de
se capacitarem e de um ambiente estruturado e adaptado para o trabalho "em
benefício de todos os alunos, e não só do aluno com deficiência”.
Capacitação
gratuita
Para preparar os professores para trabalhar com os alunos com deficiência nas classes regulares, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (UNESP), está oferecendo gratuitamente um curso de especialização para os professores da rede estadual. As aulas começaram no dia 12 de março, e é a primeira vez que o Estado oferece um curso de especialização para seus docentes. Capacitações em algumas áreas são oferecidas pelo Centro de Apoio Pedagógico Especializado (CAPE), mas não cursos mais rápidos e não oferecem certificado aos concluintes.
Para preparar os professores para trabalhar com os alunos com deficiência nas classes regulares, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (UNESP), está oferecendo gratuitamente um curso de especialização para os professores da rede estadual. As aulas começaram no dia 12 de março, e é a primeira vez que o Estado oferece um curso de especialização para seus docentes. Capacitações em algumas áreas são oferecidas pelo Centro de Apoio Pedagógico Especializado (CAPE), mas não cursos mais rápidos e não oferecem certificado aos concluintes.
A coordenadora do curso da UNESP,
Renata Portela Rinaldi, diz que serão oferecidos dois cursos: um para
professores e gestores de escolas, que vai fornecer conceitos sobre a educação
inclusiva, fundamentos de metodologia, apresentar as principais alternativas
pedagógicas e recursos materiais, aprendendo como utilizá-los. O outro curso
será oferecido para os professores que vão trabalhar nas salas de recurso da
rede estadual e que, durante o curso, vão poder optar pela especialização em um
tipo de deficiência, além de atuar como orientadores dos professores da classe
regular. “O currículo foi pensado para articular com o local de trabalho do
professor, para que ele possa atender com qualidade e, se precisar de suporte,
contar com o apoio especializado do professor da sala de recurso”, diz.
A rede estadual de educação de São
Paulo tem 230 mil professores. Segundo Elizabete, os cursos de especialização
em parceria com a Unesp vão oferecer 1600 vagas, e 17 mil professores estão
interessados em fazer o curso. As aulas serão nos polos da Unesp distribuídos
em todo o Estado, com atividades presenciais e a distância.
Segundo a coordenadora do curso, “a
Unesp reuniu professores especialistas na área da inclusão voltada para a
prática em sala de aula”. O objetivo é de ampliar a oferta de vagas. O curso
será gratuito, mas o aluno que deixar de frequentar as aulas depois de 30 dias
terá de restituir o Estado pela desistência. Renata observa que, na formação
inicial na pedagogia e nas licenciaturas, desde 2005, é obrigatório o ensino de
LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e da educação inclusiva, mas o número de
horas sobre esses temas depende de cada universidade. "A formação inicial
não dá conta de tudo o que o professor precisa saber”, diz Renata.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/educacao/sp-cresce-autonomia-de-alunos-com-deficiencia-diz-pesquisa,a3abf2157a735410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Destinos preparados para receber pessoas com necessidades especiais
Ele já foi mochileiro na Nova Zelândia, viajou de carro até Machu Picchu, fez rapel no Vale do Itajaí, mergulhou em Bonito e saltou de paraquedas em Boituva. O engenheiro agrônomo Marcos Bauch, 31 anos, nunca deixou que as muletas que usa desde criança – necessárias devido a uma artropatia nos dois joelhos – o prendessem em casa. Dificuldades existem. Das mais prosaicas, como os pisos escorregadios que já o derrubaram várias vezes, às mais inusitadas, como saltar de paraquedas sem pousar com os pés no chão. "Eu e o instrutor tivemos que bolar uma estratégia para o pouso. Treinamos uma descida sentados e deu certo", conta o engenheiro.
Mas os desafios que enfrentou jamais o fizeram pensar em desistir das viagens. "São apenas percalços e aumentam o número de histórias para contar aos amigos", diz ele. A exemplo de Marcos, há muito mais gente disposta a superar limites físicos para colecionar histórias e experiências.
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Mas os desafios que enfrentou jamais o fizeram pensar em desistir das viagens. "São apenas percalços e aumentam o número de histórias para contar aos amigos", diz ele. A exemplo de Marcos, há muito mais gente disposta a superar limites físicos para colecionar histórias e experiências.
O Brasil possui, atualmente, cerca de 46 milhões de brasileiros (24% da população) com deficiência intelectual, motora, visual e auditiva, conforme o Censo realizado em 2010 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). E, dentre eles, há muitos viajantes frequentes, segundo constatou o Ministério do Turismo, numa pesquisa realizada em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos, entre os dias 13 a 20 de maio de 2013, nas cinco maiores cidades emissoras de turismo doméstico brasileiro – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte Curitiba e Porto Alegre. A pesquisa apontou que o sentimento de superação, a liberdade e a autonomia são alguns dos principais elementos motivadores dos viajantes. Mas eles não querem só acessibilidade. Como qualquer outro turista, também buscam preços competitivos, belas paisagens, boas condições de transporte e aspectos históricos e sociais interessantes.
A cidade de Socorro, no interior de São Paulo, foi apontada pelos entrevistados como um modelo de turismo acessível, pois é a que oferece a melhor adaptação para pessoas com deficiência. Além de Socorro, Fortaleza (CE), Ilhabela (SP) e Maceió (AL) foram citadas por apresentar passeios, atividades esportivas e ecoturismo para as pessoas com mobilidade reduzida, deficiência auditiva ou visual. Atualmente, o Ministério do Turismo está financiando 14 projetos que envolvem acessibilidade, com investimentos na ordem de R$ 109 milhões.
Só rampa não basta
Mas investir em acessibilidade não é apenas construir rampas para cadeiras de rodas. "É um equívoco achar que tornar uma cidade acessível é só desobstruir barreiras arquitetônicas. É preciso eliminar as barreiras físicas para cadeirantes, mas também ter pessoas habilitadas a se comunicar com deficientes auditivos, disponibilizar material turístico acessível para deficientes visuais e treinar funcionários para atender a essas pessoas", explica a psicóloga Adriana da Silva Souza, do Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Específicas do IFRJ (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia).
"Ao escolher onde se hospedar, a primeira providência é checar se o local vai ajudá-lo nas suas dificuldades individuais. Porque mesmo com perfis parecidos, cada pessoa tem uma necessidade", diz o turismólogo e cadeirante Ricardo Shimosakai, diretor da empresa Turismo Adaptado, que elabora roteiros de viagens para pessoas com necessidades especiais. A recomendação aqui é ser o mais detalhista possível, já que, muitas vezes, as empresas não entendem o conceito de acessibilidade. "Se você precisa de uma cadeira de banho, por exemplo, tem que ligar e verificar com o hotel se eles têm e explicar que cadeira de banho não é uma cadeira de piscina", diz Shimosakai.
Uma vez escolhido o hotel, vale checar informações por telefone e até pedir fotos do local. As dimensões são importantes, especialmente se o turista for cadeirante. "Muitas vezes é preciso solucionar problemas e exigir os direitos antes de aproveitar a viagem. Ao chegar a um lugar, a pessoa com limitações motoras vai gastar tempo para saber quem tem a chave para abrir o elevador, com quem é preciso falar para poder estacionar mais perto ou, ainda, como encontrar alguém que possa ajudar a subir e a descer uma escada", explica o engenheiro Marcos Bauch, que hoje compartilha as experiências acumuladas no blog "De muletas pelo mundo". Já o portador de deficiência visual precisará de alguém que o acompanhe até o quarto de hotel e lhe mostre a localização de cada objeto. O deficiente auditivo, por sua vez, terá mais facilidade de se comunicar ao contar com o apoio de funcionários aptos em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.
Além disso, os passeios que serão feitos no destino também precisam levar em conta as limitações. Para o deficiente visual, por exemplo, no lugar de um museu em que apenas o título da obra está escrito em braile, será muito mais prazeroso visitar um jardim sensorial, disponível em alguns parques botânicos de cidades brasileiras, ou uma galeria tátil, como a existente na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
A cidade de Socorro, no interior de São Paulo, foi apontada pelos entrevistados como um modelo de turismo acessível, pois é a que oferece a melhor adaptação para pessoas com deficiência. Além de Socorro, Fortaleza (CE), Ilhabela (SP) e Maceió (AL) foram citadas por apresentar passeios, atividades esportivas e ecoturismo para as pessoas com mobilidade reduzida, deficiência auditiva ou visual. Atualmente, o Ministério do Turismo está financiando 14 projetos que envolvem acessibilidade, com investimentos na ordem de R$ 109 milhões.
Só rampa não basta
Mas investir em acessibilidade não é apenas construir rampas para cadeiras de rodas. "É um equívoco achar que tornar uma cidade acessível é só desobstruir barreiras arquitetônicas. É preciso eliminar as barreiras físicas para cadeirantes, mas também ter pessoas habilitadas a se comunicar com deficientes auditivos, disponibilizar material turístico acessível para deficientes visuais e treinar funcionários para atender a essas pessoas", explica a psicóloga Adriana da Silva Souza, do Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Específicas do IFRJ (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia).
"Ao escolher onde se hospedar, a primeira providência é checar se o local vai ajudá-lo nas suas dificuldades individuais. Porque mesmo com perfis parecidos, cada pessoa tem uma necessidade", diz o turismólogo e cadeirante Ricardo Shimosakai, diretor da empresa Turismo Adaptado, que elabora roteiros de viagens para pessoas com necessidades especiais. A recomendação aqui é ser o mais detalhista possível, já que, muitas vezes, as empresas não entendem o conceito de acessibilidade. "Se você precisa de uma cadeira de banho, por exemplo, tem que ligar e verificar com o hotel se eles têm e explicar que cadeira de banho não é uma cadeira de piscina", diz Shimosakai.
Uma vez escolhido o hotel, vale checar informações por telefone e até pedir fotos do local. As dimensões são importantes, especialmente se o turista for cadeirante. "Muitas vezes é preciso solucionar problemas e exigir os direitos antes de aproveitar a viagem. Ao chegar a um lugar, a pessoa com limitações motoras vai gastar tempo para saber quem tem a chave para abrir o elevador, com quem é preciso falar para poder estacionar mais perto ou, ainda, como encontrar alguém que possa ajudar a subir e a descer uma escada", explica o engenheiro Marcos Bauch, que hoje compartilha as experiências acumuladas no blog "De muletas pelo mundo". Já o portador de deficiência visual precisará de alguém que o acompanhe até o quarto de hotel e lhe mostre a localização de cada objeto. O deficiente auditivo, por sua vez, terá mais facilidade de se comunicar ao contar com o apoio de funcionários aptos em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.
Além disso, os passeios que serão feitos no destino também precisam levar em conta as limitações. Para o deficiente visual, por exemplo, no lugar de um museu em que apenas o título da obra está escrito em braile, será muito mais prazeroso visitar um jardim sensorial, disponível em alguns parques botânicos de cidades brasileiras, ou uma galeria tátil, como a existente na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
- A 134 quilômetros da capital paulista, a cidade atrai cada vez mais pessoas com mobilidade reduzida ou necessidades especiais, por conta do projeto Socorro Acessível, iniciado em 2005
Viagem inclusiva e os custos
Não necessariamente um deficiente gastará mais dinheiro para viajar. Os estabelecimentos não cobram mais caro por serem acessíveis, mas os custos podem aumentar conforme as adaptações que o turista precise fazer para usufruir de maneira prazerosa da viagem. "Quando fui para Machu Picchu contratei uma agência capacitada para levar pessoas com deficiência, mas tive que pagar por três guias para carregarem minha cadeira de rodas em uma parte do percurso", explica Ricardo Shimosakai.
Como não são todos os locais que oferecem acessibilidade, a oportunidade de escolha é menor. Por isso, o deficiente nem sempre pode optar pelo hotel mais barato para se hospedar, o menor carro para alugar ou ainda, o restaurante mais econômico da região. É preciso escolher aquele que ofereça soluções para as necessidades individuais.
Não necessariamente um deficiente gastará mais dinheiro para viajar. Os estabelecimentos não cobram mais caro por serem acessíveis, mas os custos podem aumentar conforme as adaptações que o turista precise fazer para usufruir de maneira prazerosa da viagem. "Quando fui para Machu Picchu contratei uma agência capacitada para levar pessoas com deficiência, mas tive que pagar por três guias para carregarem minha cadeira de rodas em uma parte do percurso", explica Ricardo Shimosakai.
Como não são todos os locais que oferecem acessibilidade, a oportunidade de escolha é menor. Por isso, o deficiente nem sempre pode optar pelo hotel mais barato para se hospedar, o menor carro para alugar ou ainda, o restaurante mais econômico da região. É preciso escolher aquele que ofereça soluções para as necessidades individuais.
SERVIÇO
Empresas especializadas em montar roteiros para pessoas com necessidades especiais:
Livre Mundi Turismo
A empresa desenvolve roteiros acessíveis para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Também oferece equipamentos especiais para visitação de atrações turísticas, acesso a praias e realização de esportes de aventura, como cadeiras de praia e cadeiras para trilhas.
www.livremundi.com.br
Tel.: (11) 2369-4202
Turismo Adaptado
A empresa organiza roteiros de viagens para pessoas com todos os tipos de necessidades específicas. A partir de uma conversa com o turista, analisa as limitações individuais e organiza a viagem, que pode ser nacional ou internacional.
www.turismoadaptado.wordpress.com
Tel.: (11) 3846-6333
Accessible Tour
A empresa oferece pacotes de turismo para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Há opções de roteiros nacionais e internacionais, que incluem até um safári para cadeirantes no Kruger National Park, na África do Sul.
www.accessibletour.com.br
Tel.: 11 3251-3391
Empresas especializadas em montar roteiros para pessoas com necessidades especiais:
Livre Mundi Turismo
A empresa desenvolve roteiros acessíveis para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Também oferece equipamentos especiais para visitação de atrações turísticas, acesso a praias e realização de esportes de aventura, como cadeiras de praia e cadeiras para trilhas.
www.livremundi.com.br
Tel.: (11) 2369-4202
Turismo Adaptado
A empresa organiza roteiros de viagens para pessoas com todos os tipos de necessidades específicas. A partir de uma conversa com o turista, analisa as limitações individuais e organiza a viagem, que pode ser nacional ou internacional.
www.turismoadaptado.wordpress.com
Tel.: (11) 3846-6333
Accessible Tour
A empresa oferece pacotes de turismo para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Há opções de roteiros nacionais e internacionais, que incluem até um safári para cadeirantes no Kruger National Park, na África do Sul.
www.accessibletour.com.br
Tel.: 11 3251-3391
Fonte: http://viagem.uol.com.br/noticias/2014/03/31/conheca-destinos-preparados-para-receber-pessoas-com-necessidades-especiais.htm
quinta-feira, 27 de março de 2014
Surda desde o nascimento, mulher faz implante e começa a escutar
Depois de 40 anos sem ouvir uma palavra sequer, a simples contagem dos dias da semana foi o suficiente para levar Joanne Milne às lágrimas. A britânica, que nasceu com uma rara doença chamada Síndrome de Usher, sempre foi surda e começou a perder a visão a partir dos 20 anos de idade. Sua amiga Tremayne Crossley filmou-a no dia em seu implante coclear — dispositivo eletrônico conectado ao cérebro — foi ativado. A reação de Joanne é emocionante.
No vídeo, ela diz que ouvir a própria voz é “muito estranho” e completa: “Uau, isso é totalmente incrível!”. Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Joanne disse que ainda está se acostumando aos sons. “Eu ainda estou chocada. Eu tenho que aprender a reconhecer o que são esses sons, porque construí uma biblioteca de sons na minha cabeça. Ouvir as coisas pela primeira vez é muito emocionante, desde o barulho de um interruptor à água corrente”, contou ela.
Joanna precisou fazer uma cirurgia de implantação há cerca de um mês e vem ativando o dispositivo em sessões semanais. Mas foi neste semana que ela viveu o impressionante momento de ouvir plenamente. “Eu sempre fui surda e fazia parte de mim. Infelizmente, quando comecei a ter dificuldades para enxergar, as coisas mudaram dramaticamente e, pela primeira vez na vida, ser surda ficou realmente difícil”, explicou.
“Eu estou tão feliz. Nos últimos dois dias ouvi pessoas rindo atrás de mim, fiquei com meus amigos... eles não tiveram que puxar meu braço para chamar minha atenção, o que é um avanço enorme”, disse a britânica.
Fonte: http://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/surda-desde-nascimento-mulher-de-42-anos-faz-implante-comeca-escutar-assista-12003372.html
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Cientistas desenvolvem anel que permite a cegos a leitura
No mundo dos kindles e tablets, deficientes visuais estão em desvantagem. Mas uma nova ferramenta, ainda em fase de protótipo, permite ao usuário digitalizar uma linha de texto com o dedo e em seguida ouvir o áudio das frases reconhecidas.
A engenhoca foi desenvolvida pelo grupo Fluid Interfaces (Interfaces Fluidas), do Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnolpgia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês).
A ferramenta lê em voz alta qualquer texto que o usuário percorre com a ponta do dedo. Logo, as pessoas cegas terão como obter informações de qualquer texto impresso ou mesno da tela de tablets na ponta dos dedos.
O protótipo é chamado FingerReader e também fornece feedback de movimento na forma de pequenas vibrações para se certificar de que o usuário não se desviou do texto.
Fonte: http://atarde.uol.com.br/digital/materias/1570376-cientistas-desenvolvem-anel-que-permite-a-cegos-a-leitura?direcionado=true
domingo, 26 de janeiro de 2014
André Cintra vai disputar a Paraolimpíada de Inverno de 2014
Ele corre, surfa e anda de bike. E vai disputar a
Paraolimpíada de Inverno
Ele teve uma das pernas amputadas ao sofrer um acidente de moto aos 18 anos. Mas, em vez de lamentar o ocorrido, o paulista André Cintra, hoje com 34 anos, foi em frente conseguiu superar as adversidades. Agora ele se prepara para participar das Paraolimpíadas de Inverno na cidade de Sochi, na Rússia, como representante brasileiro da categoria snowboard.
André pratica kitesurfe, wakeboard, mountain bike, corrida e atualmente está aprendendo a surfar de stand up paddle (surfe de pé com remos). No snowboard, ele participou do Campeonato Brasileiro da categoria em 2012, em Vale Nevado, no Chile, e disputou sua primeira prova internacional em janeiro do ano passado.
Extremamente focado em seus objetivos, André, que figura entre os 18 melhores do mundo, concedeu uma entrevista com exclusividade para o UOL Esporte. Ele conta como estão os preparativos e as dificuldades em se praticar um esporte de neve em um país sem neve.
UOL Esporte - Como está sua preparação para os Jogos Paraolímpicos?
André Cintra - A preparação está boa, estou aprendendo muito nessas viagens que estou realizando na temporada. Tenho aprendido mais técnicas e mais coisas sobre o snowboard a cada dia. Esses treinamentos estão sendo muito importantes.
UOL Esporte - Foi uma surpresa essa sua classificação para Sochi, ou você tem se preparado para isso?
André Cintra - Foi uma boa surpresa sim, mas estamos nos preparando desde o final de 2012. Nosso principal objetivo era a classificação do Brasil pra Sochi, afinal, é a classificação de um país sem neve em uma edição das Olimpíadas de Inverno.
UOL Esporte - Antes de ser paratleta, você já praticava alguma modalidade radical?
André Cintra - Sim, sempre pratiquei esportes, inclusive, muitos deles radicais, como esqui aquático, wakeboard, kitesurf... Já saltei de paraquedas, fiz rafting em corredeiras de níveis 5 e 6. Os esportes radicais sempre me atraíram.
UOL Esporte - O que muda na vida de uma pessoa em questão da superação, principalmente ao se querer praticar de esportes radicais?
André Cintra - O que muda é que quando uma pessoa decide se superar é apenas uma questão de dedicação e tempo pra ela conseguir alcançar o próprio objetivo.
UOL Esporte - Você tem ídolos em suas modalidades?
André Cintra - Meus ídolos são os atletas de parasnowboard. Aprendi a admirá-los e respeitá-los muito, pois é convivendo de perto que vemos o suor, a dedicação e o foco de cada um deles no esporte e em seus objetivos.
UOL Esporte - Quais as dificuldades que você encontra, além da falta de neve no Brasil ?
André Cintra - Bom, temos várias dificuldades, porém todas elas superáveis. Temos a falta de neve pra treinar, a grande experiência na neve e no snowboard de todos os outros atletas (dos países com neve), que moram na montanha ou treinam a maior parte do ano na neve, o que os torna muito mais experientes, e temos as dificuldades com equipamentos também. No caso, as próteses são específicas para snowboard, mas precisam de muitos ajustes. Sem contar que temos muitas variáveis nos equipamentos, o que resulta em um resultado muito diferente nas pistas.
Ainda temos ajustes, do tipo, pressão no pé, pressão nos joelhos (eles funcionam com ar comprimido, com pistões hidráulicos/pneumáticos), temos mudanças de ângulos nos pés, joelhos, no socket e nas bindings (alças que seguram as próteses). Temos mudanças de pranchas, tamanhos e rigidez, pois cada pequena alteração no ângulo ou pressão, muda completamente nossa forma de praticar, porque altera o posicionamento do corpo, a flexibilidade e a velocidade nas curvas, por exemplo.
UOL Esporte - Quais as suas expectativas em relação a sua estréia nos Jogos Paraolímpicos?
André Cintra - As minhas expectativas são de me superar a cada momento, poder representar o Brasil da melhor forma possível e de participar desse evento incrível como atleta.
UOL Esporte - Você tem apoio de marcas ou recebe bolsa-atleta?
André Cintra - Ainda não, estamos analisando essa questão, mas recebo o apoio da CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve) e do Comitê Paralímpico Brasileiro.
UOL Esporte - De todas as modalidades que você pratica, qual é a mais difícil?
André Cintra - Acredito que a mais difícil seja o snowboard. As técnicas do boardercross são bem difíceis, exigem muito do atleta. Em termos de risco, acho que é também o esporte mais arriscado, porque as velocidades são muito altas, as curvas e os saltos são bem ousados e você está numa corrida contra o tempo (nessa disciplina do snowboard as provas são por tempo). Um exemplo disso é que no último final de semana três atletas da minha categoria não terminaram as provas, pois eles machucaram ou braços ou ombros durante o percurso.
UOL Esporte - Existe preconceito das pessoas, ou medo dos seus familiares nas suas escolhas?
André Cintra - Preconceito acho que não, pelo contrário, as pessoas se orgulham do que estamos fazendo. Estamos realizando duas coisas muito importantes: Mostrando que quem tem alguma dificuldade pode se superar e inclusive ir para as Olimpíadas. Que o Brasil, mesmo não tendo neve, pode ter bons atletas e ser competitivo mundialmente.
UOL Esporte - O que aconteceu com sua perna, e quanto tempo levou até você se adaptar ?
André Cintra - Perdi a minha perna em um acidente de moto, aos 18 anos. Mas me adaptei rápido e uns dois meses depois do acidente já estava fazendo rafting... Foi difícil, sem dúvida, mas acredito que a mente manda e o corpo obedece. Existiram coisas muito mais difíceis na minha vida do que o acidente em si.
UOL Esporte - Uma mensagem para outros para atletas e para quem acha loucura o que você faz.
André Cintra - Acreditem em vocês mesmos. Vocês são muito mais poderosos do que acreditam que são! Existe um potencial incrível dentro de cada um pronto a ser descoberto. Nada é loucura, o que é loucura é não realizar os próprios sonhos. No antigo templo da sabedoria na Grécia estava escrito na primeira entrada: Seja sempre ousado. Na segunda entrada, mais importante, estava escrito: Sejas sempre ousado. Na terceira, a mais importante de todas, estava escrito: Não sejas ousado em demasia. Acredito nisso.
Fonte: http://esporte.uol.com.br/radicais/ultimas-noticias/2014/01/26/ele-corre-surfa-e-anda-de-bike-e-vai-disputar-a-paraolimpiada-de-inverno.htm
André Cintra - Foi uma boa surpresa sim, mas estamos nos preparando desde o final de 2012. Nosso principal objetivo era a classificação do Brasil pra Sochi, afinal, é a classificação de um país sem neve em uma edição das Olimpíadas de Inverno.
André Cintra - Sim, sempre pratiquei esportes, inclusive, muitos deles radicais, como esqui aquático, wakeboard, kitesurf... Já saltei de paraquedas, fiz rafting em corredeiras de níveis 5 e 6. Os esportes radicais sempre me atraíram.
André Cintra - O que muda é que quando uma pessoa decide se superar é apenas uma questão de dedicação e tempo pra ela conseguir alcançar o próprio objetivo.
André Cintra - Meus ídolos são os atletas de parasnowboard. Aprendi a admirá-los e respeitá-los muito, pois é convivendo de perto que vemos o suor, a dedicação e o foco de cada um deles no esporte e em seus objetivos.
André Cintra - Bom, temos várias dificuldades, porém todas elas superáveis. Temos a falta de neve pra treinar, a grande experiência na neve e no snowboard de todos os outros atletas (dos países com neve), que moram na montanha ou treinam a maior parte do ano na neve, o que os torna muito mais experientes, e temos as dificuldades com equipamentos também. No caso, as próteses são específicas para snowboard, mas precisam de muitos ajustes. Sem contar que temos muitas variáveis nos equipamentos, o que resulta em um resultado muito diferente nas pistas.
André Cintra - As minhas expectativas são de me superar a cada momento, poder representar o Brasil da melhor forma possível e de participar desse evento incrível como atleta.
André Cintra - Ainda não, estamos analisando essa questão, mas recebo o apoio da CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve) e do Comitê Paralímpico Brasileiro.
André Cintra - Acredito que a mais difícil seja o snowboard. As técnicas do boardercross são bem difíceis, exigem muito do atleta. Em termos de risco, acho que é também o esporte mais arriscado, porque as velocidades são muito altas, as curvas e os saltos são bem ousados e você está numa corrida contra o tempo (nessa disciplina do snowboard as provas são por tempo). Um exemplo disso é que no último final de semana três atletas da minha categoria não terminaram as provas, pois eles machucaram ou braços ou ombros durante o percurso.
André Cintra - Preconceito acho que não, pelo contrário, as pessoas se orgulham do que estamos fazendo. Estamos realizando duas coisas muito importantes: Mostrando que quem tem alguma dificuldade pode se superar e inclusive ir para as Olimpíadas. Que o Brasil, mesmo não tendo neve, pode ter bons atletas e ser competitivo mundialmente.
André Cintra - Perdi a minha perna em um acidente de moto, aos 18 anos. Mas me adaptei rápido e uns dois meses depois do acidente já estava fazendo rafting... Foi difícil, sem dúvida, mas acredito que a mente manda e o corpo obedece. Existiram coisas muito mais difíceis na minha vida do que o acidente em si.
André Cintra - Acreditem em vocês mesmos. Vocês são muito mais poderosos do que acreditam que são! Existe um potencial incrível dentro de cada um pronto a ser descoberto. Nada é loucura, o que é loucura é não realizar os próprios sonhos. No antigo templo da sabedoria na Grécia estava escrito na primeira entrada: Seja sempre ousado. Na segunda entrada, mais importante, estava escrito: Sejas sempre ousado. Na terceira, a mais importante de todas, estava escrito: Não sejas ousado em demasia. Acredito nisso.
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