segunda-feira, 18 de março de 2013

O autismo na era da indignação


RESUMO Pai de um menino com autismo, jornalista faz apanhado dos discursos sobre a síndrome, tanto no campo social e midiático como nos estudos científicos. Apesar de progressos pontuais, como lei aprovada em dezembro passado, a carência de políticas públicas no país e a desinformação alimentam o preconceito vigente.

No filme "As Chaves de Casa" (2003), de Gianni Amelio, Nicole (Charlotte Rampling) diz a Gianni (Kim Rossi Stuart) como percebeu que ele, embora negasse, era o pai de Paolo (Andrea Rossi), um adolescente com deficiências físicas e intelectuais: pela vergonha estampada em seu rosto. A vergonha é um sentimento que também não abandona quem tem um filho com autismo --eu tenho um, de 12 anos.

Se antigamente o deixaríamos trancado em casa, para não expô-lo (e não nos expormos) aos olhos da sociedade, hoje nos esforçamos para levá-lo à praia, ao cinema, às compras e, sobretudo, à escola. Mas a vergonha está, com frequência, na nossa cara, porque na cara dos outros à volta estão o desconhecimento, o desconforto, ou pior, o escárnio, o nojo.
Antes (e ao lado) da vergonha, vêm o luto e a culpa. Depois vem a indignação. Essa divisão esquemática não sobrevive ao crivo de nenhum psicólogo ou psiquiatra. Não tem problema: uma coisa que um pai de autista aprende logo é a se lixar para certos crivos. Assim como nossos filhos, temos um mundo bem particular.

Quem ri de nós ou faz cara feia costuma ser alvo de iras avassaladoras. É o que anda acontecendo. Se vivemos numa era em que tudo é motivo de indignação (no Facebook, nas conversas pelo celular, nas mensagens anônimas nos sites de notícias, nos programas matinais de rádio, nas revistas semanais, às vezes até em praças públicas), também queremos, em nome dos filhos que tanto amamos, nosso quinhão de gritos. A ONU legitima os que poderemos dar no próximo 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

SÍNDROME

Um resumo sobre o autismo: ele se caracteriza por problemas na comunicação (mesmo as pessoas verbais têm fala atípica e dificuldade para expressar ideias e sentimentos); na socialização (possibilidade de mal-estar em meio aos outros, pouco contato visual e compreensão por vezes precária das conversas); e no comportamento (padrões repetitivos e movimentos estereotipados, como balançar o corpo). É uma síndrome, um conjunto de sintomas, não exatamente uma doença. No Brasil, não há qualquer estatística, mas pesquisas em outros países apontam para algo como um autista em cada cem habitantes. Você não sabe ou não quer saber, mas tem um aí ao seu lado.

Percebi que meu filho poderia estar nesse quadro da maneira que a maioria dos pais percebe: em função do atraso na fala. Aos dois anos, seu vocabulário era muito pequeno e pouco funcional. Depois de uma romaria por terapeutas, processo sofrido e também usual, o diagnóstico foi fechado quando ele contava quatro anos.

Por vício de repórter, que costuma encarar missão dada como missão cumprida, fui apurar o que era necessário fazer para, digamos, resolver a questão. Descobri que o buraco era tremendamente profundo. E que a questão nunca se resolve, é para sempre. Ao menos não fiquei patinando no luto, que é aterrador. O diagnóstico significa o desmoronamento das habituais fantasias acerca de filhos e um xeque-mate na própria vida. Do luto à luta leva tempo.
Há dois meses, em seu blog no site da Folha (assimcomovo ce.blogfolha.uol.com.br), o jornalista Jairo Marques chamou os autistas de "povão tchubirube", entre outras brincadeiras.
Centenas de pais protestaram junto ao jornal e nas redes sociais. Não vou dizer que gostei dos termos, mas, talvez por conhecer Jairo e saber que ele jamais teria um gesto preconceituoso, não me incomodei. Embora compreensível, a reação foi exagerada.

É diferente do quadro "Casa dos Autistas", que a MTV apresentou em 2011, com Marcelo Adnet e outros fazendo --com um alcance, multiplicado pelas sucessivas postagens do vídeo na internet, muito maior do que o de um jornal--, a propaganda do bullying, do escárnio. Participei do movimento que levou a emissora, mesmo com relutância, a se retratar. Jairo riu, não escarneceu. E humor que anda na linha não é humor. Mas humor que agride quem não pode se defender tampouco o é.

Passamos por algo muito pior no final de 2012. Em 14 de dezembro, Adam Lanza, de 20 anos, matou 20 crianças e seis mulheres numa escola da cidade de Newtown, em Connecticut, nos Estados Unidos. Antes, matara a própria mãe em casa. E, depois de dar por concluído o massacre, atirou em si mesmo.

Seu irmão Ryan disse que Adam era "meio autista". A frase correu mundo, esteve em primeiras páginas e despertou nos meios de comunicação um interesse por investigar as relações entre autismo e matanças em série. Os resultados ficaram entre a frustração das pautas, por inexistência de tais relações, e a disseminação do preconceito, por ignorância de quem resolveu tratar do assunto.
Dois dias após a chacina, o "Domingão do Faustão", programa da Globo cujo repertório de atrações já é habitualmente nefasto, dedicou longos minutos a uma entrevista de seu apresentador com uma desastrada psicóloga que, mesmo sem desejar, conseguiu misturar Síndrome de Asperger (forma branda de autismo que era, acredita-se, um dos diagnósticos de Lanza) com psicopatia. A indignação dos pais, preocupados com mais esse estigma sobre seus filhos, virou uma onda que desaguou em outras reportagens, agora mostrando o absurdo da mistura.
A emissora promete tratar do assunto na próxima novela das 21h. Aguardamos com atenção e esperançosos, pois pode ser uma ótima forma de divulgação e esclarecimento.

LEI BERENICE

Foi num gesto contra o preconceito e o isolamento que a presidente Dilma Rousseff sancionou, em 27 de dezembro do ano passado, a lei nº 12.764/12, conhecida como Lei Berenice Piana, em homenagem à mãe de Itaboraí (RJ) que tanto batalhou pelo projeto que pode beneficiar seu filho e milhares de outros.
A nova lei dá direito a atendimento especializado e obriga o Estado e as entidades privadas a garantir o acesso à educação e ao mercado de trabalho, dentre outros direitos. Escolas e planos privados de saúde não poderão rejeitar pessoas com autismo, e estas terão como reivindicar prioridade no atendimento. O gestor escolar que recusar a matrícula de um aluno com deficiência pode receber multa de 3 a 20 salários mínimos.

Os pais e profissionais que defendem o ensino especial (por acharem que os alunos aprendem mais assim e ficam protegidos de bullying, argumentos sérios que devem sempre ser levados em conta) vêm se queixando de uma desvalorização dos trabalhos voltados diretamente para autistas. Mas a redação da lei não impede que as escolas especiais continuem a existir. O que não tem havido é incentivo público a essa ala da educação, opção que precisa continuar a ser debatida.

Mais urgente é a criação de uma política pública para o autismo. O Estado brasileiro praticamente ignora o assunto. E o passo inicial é simples: propagar pelo país a experiência da Casa da Esperança, de Fortaleza, referência internacional em atendimento a autistas. O que vemos, no entanto, é a casa lutando para não fechar as portas, pois a prefeitura da capital cearense retarda o repasse das verbas do SUS. A maioria dos autistas não vota, então não interessa aos donos do poder.

E quem somos esses agora indignados, os pais? Por muito tempo, fomos os vilões responsáveis pelo autismo dos nossos filhos.
A síndrome começou a ser descrita na década de 1940 pelo norte-americano Leo Kanner (1894-1981) e pelo austríaco Hans Asperger (1906-80), cada qual em seu continente. Não havia, naquela época, condições de pesquisa que permitissem a médicos e psicólogos saber o que sabemos hoje: o autismo é fundamentalmente genético, embora, ao contrário da síndrome de Down, ainda não seja possível isolar os genes causadores, pois são incontáveis, e seus funcionamentos variam muito de acordo com a combinação entre eles.
Resulta que o chamado "espectro autista" é amplo: dos casos severos, com comprometimentos absolutos, aos de alto funcionamento, que podem desenvolver sofisticadíssimos softwares no Vale do Silício. E há os savant, aqueles que têm facilidade extrema para alguma atividade específica, como a matemática para Kim Peek, o americano que inspirou o filme "Rain Man" --e que tinha enormes prejuízos em outros campos. Meu filho está no TID-SOE (Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem Outra Especificação), a larga faixa entre os extremos.

FRIEZA

A psicanálise assumiu, já em meados do século passado, a hegemonia nas interpretações sobre o autismo. E, então, como não poderia deixar de ser, a culpa sobrou para os pais. Mais especialmente, para as mães, cuja suposta frieza causaria o problema.
Bruno Bettelheim (1903-90), psicólogo norte-americano nascido na Áustria, cunhou a expressão "mãe geladeira". E chamou os autistas de "fortaleza vazia". As duas imagens, temos certeza hoje, são falsas e estúpidas. Ele e seus seguidores defendiam que os filhos fossem afastados das mães para que se cogitasse alguma evolução. O mal que Bettelheim fez a gerações de pais jamais será sanado.

Parece haver um lugar, no entanto, em que suas ideias continuam sendo respeitadas e a psicanálise permanece hegemônica quando o assunto é autismo. Esse lugar é a França.
Ao menos, é o que tenta provar Sophie Robert nos 51 minutos de seu filme "Le Mur" ("O Muro"). Concluído em 2011, o documentário continua sofrendo fortes críticas de psicanalistas franceses, e sua exibição em cinemas e na TV foi vetada, mas é facilmente encontrado --e muito acessado-- no YouTube. Três dos psicanalistas entrevistados estão processando a diretora, alegando que tiveram suas falas deturpadas.

É mais correto supor que a edição foi capciosa, selecionando o que de pior eles devem ter dito. Sophie Robert não demonstra, nas conversas, a agressividade de um Michael Moore, que nem sequer simula equilíbrio na feitura de seus documentários, mas não contemporizou na montagem dos depoimentos. Denuncista, o filme é uma colagem de declarações assustadoras, feitas por discípulos tardios de Bettelheim que, embora digam atender autistas, não aparentam ter a mais vaga ideia do que seja conviver com eles.

Joel Silva/Reprodução/Folhapress
Pintura da artista plástica Deborah Paiva para a edição de 17 de março da "Ilustríssima"
Pintura da artista plástica Deborah Paiva para a edição de 17 de março da "Ilustríssima"
O problema é que pessoas como essas não vivem em cativeiro na França. Estão soltas por aí. A primeira terapeuta à qual levei meu filho tinha um consultório chique no Leblon (zona sul do Rio), com divã tradicional e tudo. Durante mais de um ano, ela se recusou a dar um diagnóstico, pois dizia que essa era uma questão restrita ao relacionamento com o cliente, no caso uma criança pouco verbal de três anos de idade. Afirmava que seu papel era estimular o inconsciente do meu filho a aflorar. E que o autismo era um tipo de psicose (absurdo sepultado nos anos 1970, quando ela devia estar na faculdade). De quem era a culpa de tudo? Dos pais, que brigavam muito.
No seu maniqueísmo, o filme de Robert acompanha dois adolescentes: Julien, que não avançou por ter ficado submetido à psicanálise, e Guillaume, que progrediu por ser tratado com os métodos comportamentais, principalmente o programa de exercícios ABA (Applied Behavior Analysis, ou análise comportamental aplicada). Ao reduzir assim um universo tão amplo (não há um autista igual a outro), a diretora comete um grande erro e faz propaganda enganosa.

A linha comportamentalista predomina nos países anglo-saxões, sobretudo nos Estados Unidos. Consiste numa série de práticas visando à integração social a partir da repetição, do reforço das convenções, da orientação sobre o que se pode ou não se pode fazer. Por um lado, o trabalho garante, se bem-sucedido, a adequação às regras da convivência. Por outro lado, parte do princípio de que existem cânones a ser cumpridos e que cada pessoa deve se adequar a eles, em vez de ter suas características peculiares compreendidas.
Voltando a um exemplo pessoal, a segunda terapeuta de meu filho era comportamentalista. A substituição foi propositalmente radical. Ela atendia numa clínica de Botafogo (também zona sul, mas com um PIB bem inferior ao do Leblon) e estava sempre elegante, o que levou minha irmã a chamá-la de "Barbie terapeuta". Não se sujava, embora trabalhasse com crianças, porque ficava sempre numa mesa diante delas, fiel às regras do programa ABA. No caso de meu filho, queria, por exemplo, ensiná-lo o que era amarelo, azul, vermelho, mas na abstração, sem casar as cores com nada que fizesse parte do cotidiano dele. Quando a paciência se esgotava, ele dizia "cocô" e se fechava no banheiro, fugindo da chatice inútil.

VOZES

Sem querer também incorrer no erro do reducionismo, os extremos de que se falou até aqui refletem, a meu ver, o seguinte problema: como um dos pilares do autismo é a deficiência na comunicação, os discursos produzidos são, em sua quase totalidade, sobre a síndrome e sobre as pessoas afetadas por ela. Há disputas pelas representações do autismo: catastrofismo x esperança; educação especial x inserção escolar; psicanálise x comportamentalismo... É um grande alento quando surgem vozes, por assim dizer, de dentro do autismo.

A que mais me impressionou em tempos recentes foi a de Carly Fleischmann, uma adolescente canadense que, após viver 11 anos fechada em si mesma, abriu-se para o mundo a partir do computador. Passou a escrever como ninguém supunha que ela pudesse. E começou, digitando, a falar de sua condição e a responder sobre autismo a quem a consulta. Na última vez em que vi, sua página no Face- book estava com 69.561 "curti". No site brasileiro em que descobri a história, o texto sobre Carly tem 113 mil compartilhamentos.

É enriquecedor ver o curta-metragem "Carly's Cafe", feito a partir dos relatos dela. A câmera filma do ponto de vista de Carly, mostrando como uma pessoa com autismo é sensível a sons e outros estímulos, e como ela se frustra por não conseguir expressar o que quer.

O inglês Mark Haddon não é autista, mas escreveu em 2006 um belíssimo romance, narrado por um adolescente que tem a síndrome. "O Estranho Caso do Cachorro Morto" [trad. Luiz Antonio Aguiar, Record, 288 págs., R$ 37,90] reproduz, inclusive com mapas e desenhos, como funciona a cabeça de um autista obcecado por cálculos e que segue seu raciocínio lógico para tentar descobrir quem matou um cachorro, fato do qual é suspeito. Dos muitos títulos dessa minibiblioteca temática que acabei formando, esse é um dos meus favoritos.
Para quem vive próximo do tema, o caso paradigmático de sucesso é o da norte-americana Temple Grandin.

Hoje uma senhora de 65 anos, Grandin foi uma criança condenada por médicos a passar a vida internada. Trilhou outro caminho graças, principalmente, à sua paixão por animais. Inventou o método menos sofrido --e largamente mais utilizado-- de abate do gado, que não percebe que vai morrer. Foi tema do belo ensaio que dá nome ao livro "Um Antropólogo em Marte" [trad. Bernardo Carvalho, Companhia das Letras, 352 págs., R$ 54], do médico e escritor inglês Oliver Sacks --a expressão do título é como Grandin define um autista. Escreveu em 1986, com o auxílio da jornalista Margaret M. Scariano, a autobiografia "Uma Menina Estranha" [trad. Sergio Flaksman, Companhia das Letras, 200 págs., esgotado]. Foi tema do filme "Temple Grandin" (2010), com Claire Danes em seu papel. E palestras suas estão disponíveis no YouTube.

Aprendi lendo Grandin que mesmo os autistas pouco ou nada verbais entendem praticamente tudo o que é dito à sua volta. Passei a ser mais cuidadoso e a respeitar mais os longos silêncios do meu filho.
O geólogo baiano Argemiro Garcia é uma referência no Brasil entre pais de pessoas com autismo. Coordena a maior lista de discussão sobre o tema na internet e, à frente da Afaga (Associação de Familiares e Amigos da Gente Autista), participa de campanhas importantes. Em um texto inicialmente dirigido às mães, "Bem-vinda à Montanha-russa", ele afirma que é dispensável perguntar se nossos filhos serão como Temple Grandin. "Eu jamais vou conseguir ser como ela!", ressalta, antes de tocar num ponto fundamental para quem tem um filho com autismo: "Duvido que ele venha a se tornar um canalha. Isto, nunca ouvi falar que um autista fosse". Infelizmente, por não saberem mentir e manipular, ficam mais vulneráveis a canalhas mentirosos e manipuladores.

Acho que é por isso que nos indignamos tanto quando ouvimos a palavra "autista" usada como ofensa --substituindo, por exemplo, "mongoloide" e "retardado mental", hoje não tão ouvidas, felizmente. Esse uso é muito comum entre políticos. E ninguém vai querer o diagnóstico do próprio filho na boca de um Renan Calheiros, de um Eduardo Cunha. Mas a estupidez é democrática: o adjetivo também já foi endereçado pelo intelectual Emir Sader a Ana de Hollanda, ex-ministra da Cultura.

Por mais santa que seja a nossa ira, não somos policiais da língua. Temos que moderar nossa caça às bruxas. Escrevi várias vezes aqui a palavra "autista". Mas ela vem sendo banida dos discursos de pais e profissionais, que a consideram estigmatizante por transformar uma característica em algo que define totalmente a pessoa, nublando sua subjetividade. Pois imaginem se, num texto de 17 mil toques, eu tivesse de escrever sempre "pessoa com autismo". Prefiro mandar às favas o que vejo como preciosismo.
O politicamente correto também quer nos forçar a dizer que é muito legal ter filhos com determinados problemas, como se isto nos tornasse seres humanos melhores. Quando vejo programas de TV sobre a família Kirton (um casal americano, John e Robin, e seus seis filhos autistas), fico me perguntando que tipo de fanatismo religioso impede dois adultos de parar de procriar se está claro que a combinação de seus genes é problemática.

"Quando se tem filhos deficientes, é preciso suportar ouvir muita bobagem", escreve o francês Jean-Louis Fournier, pai de dois meninos com problemas genéticos (não autistas) em "Aonde a Gente Vai, Papai?" [trad. Marcelo Jacques de Moraes, Intrínseca, 160 págs., R$ 9,90], um livrinho que concilia, sem censuras, amor e humor. "Há também os que dizem: 'O filho deficiente é um presente dos Céus'. E não dizem isso como piada. Raramente são pessoas que têm filhos deficientes. Quando se recebe esse presente, dá vontade de dizer aos Céus: 'Ah, não precisava...'."

Mesmo em forma de sarcasmo, é possível manter a alegria quando se tem algo como o autismo tão perto, tão dentro de você. Se não for assim, é impossível suportar. Mas não subestimem nossa ira. Somos mais incontroláveis do que nossos filhos.

Fonte:  http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1247106-o-autismo-na-era-da-indignacao.shtml

Leia mais...

Ilustrador com doença rara usa tecnologia especial para desenhar com os olhos


O ilustrador e desenhista Francis Tsai não segura um lápis há quase dois anos, consequência de uma doença rara que lhe tirou todos os movimentos do corpo. Mas isso não o impede de ainda trabalhar com arte.






O americano, que sempre riscou naves, robôs e cenários futuristas, hoje depende de uma máquina para desenhar, mas agora usa os olhos. Tsai sofre da doença de Lou Gehrig, a mesma que paralisou Stephen Hawking.

Se você é fã de games, já deve ter visto os conceitos de Tsai em jogos de empresas como Electronic Arts e Rockstar. Se a sua praia são HQs, certamente já viu algum Homem-Aranha ou Homem-de-Ferro com os traços dele.
"Minhas mãos e braços foram as primeiras partes do corpo atingidas pela doença. Mas então descobri que eu poderia usar um iPhone com os dedos dos pés. Fiz um punhado de pinturas com o app Brushes", disse Tsai à Folha.

Fonte:  http://www1.folha.uol.com.br/tec/1246843-ilustrador-americano-paralitico-usa-tecnologia-especial-para-desenhar.shtml


Leia mais...

segunda-feira, 11 de março de 2013

Cego é homenageado por ser frequentador mais assíduo de biblioteca em SP


Pela segunda vez consecutiva, o homenageado como um dos frequentadores mais assíduos da Biblioteca de São Paulo, uma das mais importantes do Estado, foi um leitor que não usou os olhos para conhecer as aventuras de "Dom Quixote" ou os desbravamentos de "O Tempo e o Vento".

Sérgio Florindo, 52, é cego desde o nascimento e, com a audição, devorou em dois anos quase metade da coleção de 1.189 audiolivros disponíveis na instalação que completou três anos no mês passado e já foi visitada por quase 1 milhão de pessoas.

"Não aprendi braile na infância. Tinha vergonha de ser cego e escondia isso. Amigos ajudavam emprestando seus olhos e liam para mim", diz.
O primeiro livro que o ex-trabalhador de estoque de perfumaria, hoje aposentado, teve contato foi "A Morte e a Morte de Quintas Berro D'Água", de Jorge Amado.
"Um grande companheiro leu tudo para mim. Foi emocionante e me apaixonei por literatura. Mas, na vida adulta, foi ficando complicando achar voluntários", lembra.

A guinada na vida literária veio só aos 50, quando a filha Larissa, 26, tecnóloga de gestão da tecnologia da informação, descobriu os audiolivros na biblioteca perto de casa.
É ela quem leva o pai até o Parque da Juventude, na zona norte, para se encontrar com seus autores favoritos: Graciliano Ramos, Miguel de Cervantes e Carlos Drummond.
Em média, Florindo escuta dez livros por semana. O recorde foram três em um dia. "Nós cegos não vemos o tempo passar", brinca ele, que perdeu a visão por um problema congênito na retina.

POUCOS TÍTULOS
Ele lamenta o "baixo número de títulos" disponíveis em áudio. "Deveria ser obrigatório que todo livro lançado tivesse versão em áudio, o que mudaria muitas vidas."
Na semana passada, recebeu certificado de conclusão do ensino médio, após ter tido bom resultado no Enem. Pretende fazer faculdade de comunicação. "Os livros trazem imagens novas para o meu mundo. Consigo criar conceitos inéditos de lugares, de pessoas e de fatos."

Fonte:  http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1244110-cego-e-homenageado-por-ser-frequentador-mais-assiduo-de-biblioteca-em-sp.shtml

Leia mais...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Cega por acaso, jovem de 23 anos fala sobre vaidade no Dia da Mulher


Margareth Rios, estudante baiana, perdeu totalmente a visão após um AVC.

Margareth Santos Reis é uma jovem de 23 anos, moradora do bairro de Alto de Coutos, subúrbio ferroviário de Salvador. Há cinco anos, a estudante do 3º ano do ensino médio perdeu a visão por conta de um problema de saúde, mas, mesmo com a dificuldade, a caçula de seis irmãos nunca abriu mão do que mais gosta, cuidar da vaidade.

"Eu gosto de estar sempre bem arrumada, não abaixo a cabeça para ninguém. Hoje, eu não enxergo, mas quem não enxerga sou eu, não é? Nós não temos que ter vergonha do mundo, porque a cegueira não vem só para as pessoas que são cegas, está aí no mundo", diz Maga, coA "desacreditada pelos médicos" que encarou a cegueira após um Acidente Vascular Cerebral (AVC) na juventude abriu a sua casa - ou melhor, o quarto - para celebrar com o G1 o Dia da Mulher neste 8 de março, sexta-feira.

A vaidade, conta, foi primeiro estimulada pela paixão de adolescência. Aos 12 anos, ela precisava se arrumar para que o ex-namorado, então paquera, a visse na rua. “Deu certo, a gente namorou, ele foi o amor de minha vida até os 15 anos”, lembra, brincando. Depois disso, andar arrumada virou costume. “Quando ia para o colégio, ainda quando enxergava, me maquiava toda. Minha mãe dizia que eu não ia para o colégio, dizia que eu ia para o shopping", conta Maga.

Sim, ela teve de se readaptar ao mundo depois que perdeu a visão. No entanto, ela acredita que passar por um AVC e se recuperar de um coma "tinha que acontecer". Ela não podia se entregar, refere-se. “Eu tive uma dor de cabeça em 2007, que os médicos não conseguiam identificar o motivo. A dor não passava, era muito chata, insuportável mesmo. Fui ao hospital, fiz tomografia e foi constatado que estava com hemorragia no cérebro. Não passava, só passava com remédios via soro”, recorda.mo é conhecida, com muito bom humor.

Margareth precisou ficar 10 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Estado (HGE). “Na UTI, eu escutava o médico falando para minha mãe que eu não tinha mais jeito, que eu não estava mais ali, que apenas o meu coração batia. Estava ouvindo, mas não tinha como dar sinal de vida. Minha mãe começou a entrar em pânico, foi horrível”, relata.
Ao acordar do coma, ela foi diagnosticada com aneurisma, que deixou o lado esquerdo do seu corpo sem os movimentos e, em seguida, acarretou a perda total da visão nos dois olhos. “Lembro que minha tia chegou até mim e eu perguntei: cadê você? Eu dizia que não a via e ela disse que a face dela estava na frente da minha. Aí os médicos detectaram que eu estava cega”, conta.

Em busca da independência

Depois de quase dois anos em casa tentando “compreender” a nova condição, no ano de 2009 a jovem decidiu reconquistar a independência e, desde então, passou a participar do CAP, o Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual. “Não é que eu não aceitava a cegueira, eu não entendia, era complicado. Queria a minha independência de volta. Sempre fui muito vaidosa e, naquela época, minhas irmãs me davam banho, me arrumavam e faziam uma trança horrível em meus cabelos, eu odiava aquilo”, brinca.

Ela fez aulas para aprender a se locomover, a executar tarefas domésticas, a cantar no coral e encenar no teatro, o que a levou a viajar para outras cidades do país. Com a experiência, diz que aprendeu também a levar "na esportiva" o preconceito social em relação aos cegos.  

“Não abandonei minha vaidade, minha alegria, nada por conta da cegueira. As pessoas na rua me olham bastante, porque eu ando muito arrumada. Quando vou tomar uma cervejinha, coloco um shortinho, um salto, até porque eu amo um salto, me sinto 'a própria' no salto. Isso, às vezes, gera preconceito, as pessoas acham que a pessoa cega tem que usar uma sandalinha rasteira, uma roupinha simples; se você estiver ‘chique’ as pessoas não acham que você é cega. Muitas pessoas acham que a pessoa cega tem que andar suja, fedendo, mal arrumada. Acho que as pessoas estão acostumadas com isso, porque tem cego que não liga para isso”, avalia.

Vaidosa, sempre

A data que homenageia as mulheres vai ser comemorada como gosta, ao lado dos amigos. "É o meu dia, vou me achar mais ainda", alegra-se ela, que comprou roupa nova para o evento. "Fui mulher, criança, cresci, perdi a visão, hoje tenho 23 anos, e sou essa pessoa, nunca me modifiquei. Neste dia da mulher, quero dizer às mulheres, cegas ou videntes, que nós temos que encarar a vida do jeito que ela é”, afirma.
Ela se arruma em frente ao espelho e identifica a roupa que quer no armário ao toque. Moradora do subúrbio soteropolitano, a jovem aponta que apenas um "problema" é causado pela vaidade, o ciúme gerado nos namorados. "Eu já tive namorados videntes e cegos. É engraçado porque o último, por exemplo, tinha tanto ciúmes que o relacionamento acabou. Ele era cego, mas não totalmente, tinha visão baixa. Eu vivia questionando ele: 'por que eu, que não enxergo, não tinha ciúmes? Logo ele, que ainda conseguia ver algo, tinha? Me divertia com isso”, comenta.

Para Margareth, ser vaidosa não é colocar uma maquiagem no rosto ou andar na moda, como retrata, mas é uma "postura". “Vem de dentro, é uma postura mesmo. Não é porque hoje eu sou cega que vou deixar minha vaidade, o que eu sou. Eu gosto que as pessoas vejam isso em mim. Eu amo quando as pessoas me elogiam”, conta.

Compartilhando autoestima

A segurança que impõe não é dividida por todos os seus colegas, principalmente os amigos que são cegos. Ela relembra um episódio há cerca de quatro anos, assim que ela ingressou no CAP e conheceu melhor a realidade dos deficientes visuais.

"Eu não enxergo, mas tenho percepção muito grande. Logo no começo, conversava e percebia que as pessoas andavam com a cabeça baixa. Eu perguntava o motivo pelo qual as pessoas andavam de cabeça baixa, eles falavam que era costume. Eu dizia que eu não queria andar com a cabeça baixa, expliquei a eles que andar com a cabeça baixa significa ter vergonha do mundo. Temos que mostrar ao mundo que somos pessoas normais, como qualquer outra. A pessoa cega é capaz de tudo, só depende da pessoa. Eu estudo, este ano ainda vou cursar minha faculdade, já fiz cursos, como todo mundo", afirma.

E continua, com discurso solto. “A gente tem que lembrar sempre de mostrar aos homens que as mulheres têm a mesma capacidade que eles têm. Mostrar para as pessoas a capacidade que cada uma tem. Muitas pessoas não dão importância para a mulher cega, mas estamos quebrando esse preconceito com a ajuda da própria sociedade, dos que nos respeitam. No inicio, achei que ninguém ia olhar mais pra mim, ia conversar comigo. Mas não larguei de ser mulher e vaidosa do jeito que eu sou. Acho que isso é o que importa. Um feliz dia das mulheres para todas as mulheres do Brasil, cegas e videntes”, despede-se.

http://g1.globo.com/bahia/noticia/2013/03/cega-por-acaso-jovem-de-23-anos-fala-sobre-vaidade-no-dia-da-mulher.html



Leia mais...

Dia Internacional da Mulher.



A todas as mulheres pelo mundo a fora, que venceram batalhas, derrubaram tabus, barreiras e tem conquistado espaço  todos os dias, com, muita superação  e coragem!! 
                                  Somos todas guerreiras".
                          PARABÉNS PRA TODAS NÓS!!
Leia mais...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Breno Viola, o judoca que tem síndrome de Down e virou ator de cinema.

O protagonista desta matéria é o Breno Viola, um dos atores principais do filme Colegas, que conta a trajetória de três jovens com síndrome de Downembarcando numa viagem em busca de seus sonhos. 

Breno tem 31 anos e, além de ator, é faixa preta em judô desde 2002, ou melhor, é o primeiro judoca com Down a conseguir esse feito nas Américas! Ele já participou das Olimpíadas para Deficientes Intelectuais – mundial que aconteceu na Grécia em 2011 –, e terminou em 4º lugar, além de ser bicampeão mundial em sua categoria
"Comecei a fazer judô aos 3 anos. Sempre tive meu irmão mais velho como grande inspiração. Ele também é praticante do esporte. Sou o primeiro down das Américas a conquistar a faixa preta e nunca tive moleza. Na academia, se é para tomar esporro, eu tomo, como qualquer aluno. Sempre fui tratado de igual para igual”, conta em entrevista exclusiva. 

Ele explica que nunca teve regalias dentro do esporte e sofreu preconceito uma única vez. “O motorista do ônibus me chamou de doente. Fiquei muito triste na hora, desci, anotei a placa e o número do ônibus e fiz a reclamação. Infelizmente, não deu em nada, mas foi a única vez que sofri preconceito”, lembra, tristonho.

O judoca diz que estudou em escolas comuns até a 8ª série, depois, “quando os estudos começaram a ficar mais puxados”, passou para uma especial. 

Ainda dentro do esporte, Breno fez um curso de arbitragem, fator necessário para alcançar o terceiro dan (uma das graduações do judô), e se encantou com a nova possibilidade. Ele pretende se tornar juiz num futuro não muito distante. 

Sobre o cinema, ele diz que foi algo quase inesperado em sua vida. Breno já tinha feito teatro (inclusive um musical com Beto Silveira) e uma participação na novela Páginas da Vida da Rede Globo - que retratou o caso da adoção de uma menina com Down -, quando foi escolhido pelo diretorMarcelo Galvão para fazer um teste para o filme Colegas. 

“O Marcelo gosta bastante de lutas e me viu em entrevista no Canal Combate, aí foi atrás do meu contato e pediu para eu fazer um teste. Acabou que fui escolhido e meu papel é inspirado no tio dele, que também era down e foi a grande motivação para que ele fizesse o filme”, conta Breno.

No momento em que fala sobre a relação com o diretor, Breno se emociona. Ele, que perdeu o pai em 2011, tem no - agora - amigo o espelho para a figura paterna. “É muito gratificante participar de um filme desses, ter uma equipe tão educada, que trata a gente com tanto amor. Eles viraram minha terceira família. O Marcelo é como um pai para mim, sempre presente nos bons e maus momentos”, diz. 

Entre as muitas atividades que desempenha, ele ainda arranja tempo para militar em prol de quem tem síndrome de Down. Ele ajudou a fundar o site Movimento Down e já viajou para vários lugares fazendo palestras e contando sua história. Em março deste ano, inclusive, vai para os EUA contar sua trajetória em um evento da ONU. “Também falo sobre os direitos das pessoas com deficiência, explico como é a síndrome de Down entre outros assuntos”, explica. 

Como ninguém é de ferro, claro que sobra um tempo para “as namoradas”. Brincalhão, Breno diz estar vivendo um relacionamento aberto e aproveitando o momento de fama. “Tenho um pacto com a minha namorada, todas as famosas que eu conhecer, posso dar um selinho”, explica. 

E o “trato” está sendo levado a sério. A primeira agraciada com um beijo do ator foi Nanda Costa (protagonista da principal novela da TV brasileira atualmente). Os dois estavam participando da gravação do Altas Horas, de Serginho Groisman, quando ele “fisgou” a morena, tudo na base da brincadeira, é claro. 

“Também sou fã da Juliana Paes e Sabrina Sato, mas a Juliana Didone (que está no elenco deColegas) é minha musa”, derrete-se. Breno conta que também admira o trabalho de atores comoRodrigo SantoroWagner MouraBruno Gagliasso e Rodrigo Lombardi

Sobre o futuro ele é enfático: “Quero continuar no judô e fazer muitos e muitos outros filmes”. Com toda essa força de vontade e empenho, ninguém duvida que ele vai alcançar tudo o que deseja, não é mesmo?
Fonte:  http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/inacreditavel/2013/02/25/320254-conheca-breno-viola-o-judoca-que-tem-sindrome-de-down-e-virou-ator-de-cinema#0
Leia mais...