quarta-feira, 14 de maio de 2014

Empresa alia inclusão e lucro com impressões em braille

Empreendedor aproveita o crescimento da preocupação com deficientes visuais e cria negócio para adaptar cardápios e livros.


Criada pelo paulistano Roberto Gallo, a Livre Acesso é especializada em fazer traduções e impressões em braile
Foto: Shutterstock
A crescente preocupação com a acessibilidade está abrindo novas possibilidades de negócios. Aproveitando a maior atenção dispensada aos deficientes visuais nos últimos anos, o paulistano Roberto Gallo criou a Livre Acesso Braille, empresa especializada na produção de livros e cardápios em braille. 
Após trabalhar durante mais de uma década em uma fundação de assistência a deficientes visuais, Roberto decidiu montar seu próprio negócio no ano passado. Assim, ele investiu em impressoras, contratou pessoal e passou a traduzir e imprimir material em braille.
“É uma linguagem que já existe no Brasil há 160 anos. Há uma lei na cidade de São Paulo que desde 1997 obriga todos os estabelecimentos que comercializam refeições a ter pelo menos um exemplar do cardápio em braille. São cerca de 200 mil locais deste tipo, e nos últimos três anos eles passaram a se preocupar cada vez mais com este tema”, explica Gallo.

Além de bares e restaurantes, a Livre Acesso também trabalha com livros didáticos de escolas de inglês, por exemplo. Uma primeira tradução do texto para o braille é feita por um software, mas um profissional com experiência no uso da linguagem precisa acompanhar o processo, pois é necessário inserir  caracteres e códigos específicos para garantir que a adaptação seja bem sucedida e, depois de passar pelo software, o texto em braille deve ser submetido a uma revisão rigorosa.O empreendedor afirma que sua ideia não é só montar um negócio, mas ajudar os deficientes visuais a exercerem sua cidadania e terem acesso a informação por conta própria. “Falar desta lei sempre é nosso último recurso. Procuramos despertar no empresário a consciência da necessidade de dar atenção ao deficiente visual, para que ele seja incluído como um consumidor importante”, diz.
“Em geral, um cardápio leva até sete dias úteis para ficar pronto. A Livre Acesso tem apenas sete meses de vida, mas já conta com  quatro funcionários e atende todo o país por meio do Sedex. O crescimento está sendo rápido”, afirma Gallo.
Fonte:  http://economia.terra.com.br/vida-de-empresario/empresa-alia-inclusao-e-lucro-com-impressoes-em-braille,2c7cfab6948d5410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
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sábado, 10 de maio de 2014

Dia das mães..

Parabéns a minha mãe, minhas irmãs, minha sobrinha querida que este será seu primeiro dia das mães, a todas as minhas amigas que são mães e avós e a todas as mães espalhadas por este mundo a fora, as mães de filhos especiais que não medem esforços pra que não falte nada aos filhos e se viram em mil pra conseguir atender todas as urgências que aparecem todos os dias vencendo as inúmeras limitações com orgulho e coragem pra recomeçar tudo todos os dias.

Compartilho esta mensagem linda.


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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mãe inventa equipamento para que o filho deficiente possa andar e muda a vida de inúmeras crianças com paralisia ao redor do mundo

Até onde vai o amor de uma mãe? Para melhorar a qualidade de vida do filho paraplégico, Debby Elnatan criou um suporte que o possibilitou ficar em pé e dar seus primeiros passos na vida




De onde vêm as ideias que mudam o mundo e quais são as histórias de vida por trás delas? Nem sempre as grandes invenções surgem em laboratórios de ciência ou ilustres centros de pesquisa - e Debby Elnatan sabe muito bem disso. Mãe de Rotem que, aos dois anos apresentou uma paralisia cerebral, Debby via o filho em uma cadeira de rodas, exercendo poucos movimentos. Foi então que ela decidiu criar um equipamento por meio do qual Rotem pudesse sentir o que é dar os primeiros passos, caminhar, brincar em um balanço e, enfim, ser um pouco mais livre.

A invenção ganhou suas primeiras versões quando Rotem tinha poucos anos de idade mas o equipamento que está mudando a vida de muitas crianças está sendo lançado agora, quando o filho de Debby já é adulto. Na foto, a inventora do Upsee apresenta a novidade à pequena Bethanny.




Fonte:  http://estilo.br.msn.com/carinho/m%C3%A3e-inventa-equipamento-para-que-o-filho-deficiente-possa-andar-e-muda-a-vida-de-in%C3%BAmeras-crian%C3%A7as-com-paralisia-ao-redor-do-mundo#image=1
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terça-feira, 15 de abril de 2014

Professor surdo ministra aulas de Libras para alunos ouvintes em Goiás

Estudantes conseguem entender com uso de sinais e recursos tecnológicos.
Disciplina é optativa para alguns cursos do Instituto Federal de Goiás (IFG).



Fernanda BorgesDo G1 GO
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Professor surdo se comunica com alunos durante aula no IFG, em Goiânia (Foto: Fernanda Borges/G1)Professor surdo se comunica com alunos durante aula no IFG, em Goiânia (Foto: Fernanda Borges/G1)
Com um silêncio incomum em sala de aula e mãos em movimentos constantes, os alunos do Instituto Federal de Goiás (IFG) prestam atenção ao máximo nas explicações do professor Luiz Pereira de França Júnior, 45 anos. Ele é surdo desde o nascimento e ministra a disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) no campus Goiânia. O diferencial é que todos os presentes são ouvintes e interagem com o mestre apenas pela linguagem de sinais.
G1 acompanhou uma aula do professor Luiz no IFG e contou com a ajuda da psicóloga e estudante de Libras Maraiza Oliveira Costa, 28 anos, para intermediar a entrevista.
De acordo com o professor, a técnica usada para ministrar as aulas faz toda a diferença para que todos possam se entender. “Utilizo bastante um projetor multimídia, pois os alunos precisam do visual para entender a linguagem de sinais. Também uso o método de perguntas e respostas, no qual o grupo interage e pode compartilhar informações. Além disso, fazemos atividades impressas, para que cada um possa, em casa, continuar os trabalhos. Se alguém tiver dúvida, uso também técnicas de soletração”, explicou Luiz.
Além dos slides e imagens, o professor faz comparações entre as gramáticas da Libras e do Português e faz traduções entre as duas linguagens. Com o movimento das mãos e expressões aguçadas, Luiz envolve os alunos, que participam o tempo todo das explicações e se ajudam entre si quando alguém não compreende um determinado ponto. O silêncio das aulas só é quebrado quando o professor faz alguma graça e as risadas tomam conta do ambiente.
Luiz nasceu no município de Sertânia, no interior do Pernambuco, e mudou com a família para Goiânia em 1995. Os pais dele moraram na capital por quatro anos, mas decidiram voltar para o estado natal. Ele preferiu continuar na cidade, onde já estudava a linguagem de sinais. Em 2006 começou a cursar Licenciatura em Letras-Libras, em um convênio entre o IFG e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que formou a primeira turma a distância em 2010.
Luiz interage com alunos o tempo todo durante as aulas de Libras (Foto: Fernanda Borges/G1)Luiz interage com alunos o tempo todo durante as aulas de Libras (Foto: Fernanda Borges/G1)
Em 2012, já graduado, Luiz ministrou o curso de Libras para servidores do IFG e da rede estadual de ensino de Goiás. Logo depois, em agosto de 2013, foi aprovado como professor substituto no instituto, onde permanece dando aula. “No começo, as pessoas estavam preocupadas em como eu iria dar aula. Mas não tive dificuldades em me adaptar como professor. Conheço bem a gramática que envolve a Libras, como fonética e fonológica e isso ajuda muito”, esclarece.

A disciplina de linguagem de sinais só é obrigatória para os cursos de licenciatura. Para os demais, como hotelaria, engenharia de controle e automação e engenharia mecânica, a disciplina é optativa, mas as aulas nunca ficam sem interessados. Em média, cada uma tem 35 alunos inscritos, mas todos são ouvintes. De acordo com o IFG, atualmente, nenhum aluno surdo está matriculado no instituto.
Célia Keiko diz que aprendizagem sober Libras pode ser diferencial na carreira (Foto: Fernanda Borges/G1)Célia diz que aprendizagem sober Libras pode ser
diferencial na carreira (Foto: Fernanda Borges/G1)
Além de dominar a escrita muito bem, o professor consegue fazer leitura labial quando os alunos falam pausadamente e nenhuma dúvida fica sem resposta.

“Ele usa muitos gestos e expressões que nos ajudam a entender e assimilar cada sinal. No começo foi muito desafiador, pois ele não fala nada, mas aos poucos fomos nos acostumando. Sem contar que ele é muito engraçado e a aula fica leve e divertida”, afirmou a estudante de hotelaria Célia Keiko, 34 anos, que conta que o professor é carinhosamente apelidado pelos alunos como "Mr. Bean", pela semelhança física com o ator britânico Rowan Atkinson, que interpretou o personagem de filmes de comédia. "Até no e-mail dele ele se intitula assim".

Para ela, optar pelas aulas de Libras será importante para o sucesso profissional. “Eu já falo japonês fluente e queria ter mais um diferencial. Encontrei na linguagem de sinais o que eu precisava, pois são pouquíssimas as pessoas que dominam e acredito que isso agrega valor ao currículo”, ressaltou Célia.
Para o estudante de engenharia mecânica David Uander, 27 anos, a paciência do professor com os alunos também é importante para favorecer o aprendizado. “Ele repete um movimento até 20 vezes se for necessário. Além disso, aprendemos o alfabeto e, quando alguém não entende, é possível ‘soletrar’ o que se quer dizer. Mas acho que o mais importante de tudo é que ele é divertido e faz o que for necessário para ser compreendido”, afirmou.

David também escolheu cursar a disciplina optativa para agregar conhecimentos a carreira. “Eu já tive contato com Libras a partir de um folheto que ganhei em um ônibus. Sozinho, comecei a me informar sobre a linguagem e queria muito aprender. Quando soube sobre a possibilidade de estudar aqui no IFG, não pensei duas vezes. Acho que em qualquer área que se escolha trabalhar é importante dominar todos os tipos de comunicação”, disse o estudante.
Alunos repetem movimentos ensinados pelo professor durante aula de Libras (Foto: Fernanda Borges/G1)Alunos repetem movimentos ensinados pelo professor durante aula de Libras (Foto: Fernanda Borges/G1)
Além de Luiz, outros três integrantes da família são surdos. Ele conta que aprendeu a entender o que os ouvintes falavam ao prestar muita atenção nas conversar de uma irmã. Aos 4 anos, ainda em Pernambuco, ele começou a ser alfabetizado em uma escola que ensinava Libras para crianças surdas.
Já na 4ª série do ensino fundamental, Luiz passou a estudar em uma escola regular, onde só havia alunos e professores ouvintes. “Foi um desafio intenso, porque não tive intérprete e utilizava o método oralista junto com a Libras”, lembra o professor.
Após mudar para Goiânia, ele passou a estudar no Sistema Educacional Chaplin. “Lá, aprendi ainda mais sobre Libras e passei, de fato, a dominar a linguagem de sinais”, destacou. Luiz lembra que decidiu virar professor enquanto estudava em outra instituição particular na capital, pois as pessoas o incentivaram dizendo que ele era bom para ensinar.
Maraiza ajuda o professor nas relações burocráticas com o IFG (Foto: Fernanda Borges/G1)Maraiza ajuda professor nas relações
burocráticas com o IFG (Foto: Fernanda Borges/G1)
Desafios
Ele seguiu o conselho e realiza as atividades na sala de aulas sem maiores transtornos. No entanto, as relações com as partes burocráticas da função ainda são grandes desafios. No IFG, Luiz conta com a ajuda da psicóloga Maraiza Oliveira Costa, uma das poucas pessoas que trabalham no instituto e conseguem se comunicar na linguagem de sinais com ele.

“Ainda estou aprendendo, mas consigo entendê-lo bem. Durante as aulas, o Luiz domina a comunicação sem problemas, mas quando precisa tratar de assuntos acadêmicos ou em reuniões, fica bem complicado. Existem algumas palavras que são complexas demais e fica difícil para ele entender. Mas vamos ajudando na medida do possível”, explicou Maraiza.
Apesar das dificuldades, Luiz afirma que consegue lidar bem com as pessoas e diz que nunca foi alvo de preconceito. Segundo ele, os surdos podem atuar em qualquer profissão, desde que a audição não seja um requisito fundamental. “É preciso ter maior divulgação dos cursos para que as pessoas surdas tenham interesse e busquem a formação superior”,  acredita.
Professor Luiz posa ao lado de alguns dos alunos que estudam Libras no IFG (Foto: Fernanda Borges/G1)


Professor e alunos mostram sinal que representa a sigla do IFG (Foto: Fernanda Borges/G1)


Fonte:  http://g1.globo.com/goias/noticia/2014/04/professor-surdo-ministra-aulas-de-libras-para-alunos-ouvintes-em-goias.html
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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Implante na coluna devolve movimentos a pacientes paralisados


Por Sharon Begley
NOVA YORK, 8 Abr (Reuters) - Quatro homens que passaram mais de dois anos tetraplégicos, sem perspectivas de recuperação, recobraram a capacidade de movimentar as pernas e os pés, mas não de caminhar, graças a um dispositivo eletrônico implantado na coluna vertebral, disseram pesquisadores nesta terça-feira.
O sucesso, embora num número pequeno de pacientes, oferece a esperança de que um tratamento inovador possa ajudar pessoas com paralisias causadas por lesões medulares, segundo cientistas. Só nos EUA há 6 milhões de paraplégicos e tetraplégicos, sendo 1,3 milhão deles com lesões de coluna.
Os resultados também colocam em dúvida uma suposição importante sobre lesões da coluna: que o tratamento exigiria a reconstituição ou substituição de neurônios danificados, o que poderia ser possível com células-tronco, por exemplo -- um processo complicado e polêmico.
"A grande mensagem aqui é que pessoas com lesões da coluna cervical como as desses homens não precisam mais pensar numa condenação à paralisia pelo resto da vida", disse em entrevista o médico Roderic Pettigrew, diretor do Instituto Nacional de Bioengenharia e Técnicas de Imagens Biomédicas, que é parte do Instituto Nacional de Saúde dos EUA.
"Eles podem conseguir algum grau de função voluntária", disse Pettigrew, que viu isso como "um marco" nas pesquisas sobre lesões medulares. O instituto que ele dirige financiou parcialmente o estudo, publicado na revista Brain.
A pesquisa se baseou no caso do ex-jogador de beisebol universitário Rob Summers, que ficou tetraplégico ao ser atropelado em 2006. No final de 2009, ele recebeu um implante epidural logo abaixo da área danificada.
O aparelho de 72 gramas começou a emitir uma corrente elétrica em várias frequências e intensidades, estimulando densos feixes de neurônios na coluna. Três dias depois, ele ficou de pé sozinho, e em 2010 tentou dar seus primeiros passos.
O caso dele teve grande repercussão, mas os cientistas achavam que só pacientes com alguma sensibilidade nos membros --caso de Summers-- poderiam se beneficiar com os estímulos elétricos.
Por isso, a equipe comandada pela Susan Harkema, especialista em reabilitação neurológica do Centro de Pesquisas do Kentucky para Lesões de Coluna Vertebral, tinha menos esperanças em relação a dois dos pacientes seguintes, sem sensibilidade nos membros.
Mas um deles, vitimado por um acidente de moto em 2009, aos 21 anos, começou a mover a perna esquerda 11 dias depois de receber o aparelho, chamado RestoreAdvanced e fabricado pela empresa Medtronic. Ele havia recebido o prognóstico de que nunca mais conseguiria mexer as pernas.
O terceiro paciente, tetraplégico após um acidente de moto em 2006, obteve ainda mais progressos, e consegue mexer a perna mesmo quando o aparelho não está emitindo sinais elétricos. Ele se orgulha de já ter conseguido passar 27 minutos em pé, mesmo sem o auxílio do aparelho. "E ainda estou progredindo", afirma.

Fonte:  https://br.noticias.yahoo.com/implante-na-coluna-devolve-movimentos-pacientes-paralisados-141917504.html
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terça-feira, 8 de abril de 2014

Médico que descobriu a origem do Down pode ser canonizado

Centista e santo da Igreja Católica. Ao longo da história são raros os casos em que essas qualificações se aplicaram à mesma pessoa. Até porque, para muitos, fé e ciência são incompatíveis. Por seus estudos de genética e por ser um defensor das causas da Igreja, Jérôme Jean Louis Marie Lejeune foi um dos poucos homens a transpor essa barreira.
Morto aos 68 anos, vítima de um câncer, em 3 de abril de 1994, há exatos 20 anos, o médico francês poderá ser canonizado em breve pela Igreja.
Lejeune, o pai da genética moderna
Jérôme Lejeune nasceu em Montrouge, na França, em 1926. Foi pediatra, professor de genética e cientista, e seu nome é sempre lembrado em função de sua descoberta da origem da Síndrome de Down: uma anomalia no cromossomo 21, que gera a trissomia 21, como também é chamada.

Foi em 1958, após seis anos de carreira, que o francês conseguiu revelar fotos de cromossomos em seu laboratório e expôs uma hipótese sobre a influência deles como causa da Síndrome de Down. Na época, o cientista estudou o caso de três meninos portadores, para comprovar sua hipótese que, foi, aliás, a primeira na história a estabelecer um vínculo entre um estado de deficiência mental e uma aberração cromossômica.Imagem de cromossomos humanos durante uma de suas fases de formaçãoFoto: Wikipédia
"A Síndrome de Down já havia sido descrita por John Langdon Down, quase 100 anos antes. Lejeune identificou a alteração genética responsável pelo quadro, o que possibilita a realização do diagnóstico laboratorial pelo cariótipo. Isto quase anula a possibilidade de erro diagnóstico, e também tornando viável o aconselhamento genético para os pais", explica a médica geneticista do Ambulatório de Diagnóstico da Apae de São Paulo, Dra. Fabíola Paoli. 
Entre os prêmios e honrarias recebidas pelo professor, um especial foi entregue pelas mãos do presidente americano John F. Kennedy em 1962Foto: AFP

Segundo a médica, as pesquisas de Jerome Lejeune, não só direcionadas para a Síndrome de Down, foram capazes de pavimentar o caminho para a descoberta de muitas outras aberrações que ocorrem com certa frequência. 
Após quase 60 anos da descoberta do francês, portadores de Down possuem uma qualidade de vida melhor - vivendo quase 50 anos a mais do que na década de 1940 (hoje, a expectativa de vida está entre 60 e 70 anos e na época era de, no máximo, 18 anos).
Outros avanços nesta área também aconteceram em relação à conscientização, estímulo e de acompanhamento das crianças com síndrome de Down. No Brasil, desde 2012, o Ministério da Saúde publicou um manual com diretrizes para a Atenção à Saúde da Pessoa com Síndrome de Down no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) - um grande passo para as famílias e os portadores. 
Um cientista contra o aborto
Por causa da descoberta da anomalia no cromossomo 21 e de outras realizadas depois, Lejeune é chamado de “pai da genética moderna”, obtendo, ainda em vida, entre várias honrarias e títulos, os de doutor Honoris Causa das universidades de Düsseldorf (Alemanha), Pamplona (Espanha), Buenos Aires (Argentina) e da Pontifícia Universidade do Chile.

O “pai da genética moderna” era também  membro da Academia de Medicina da França, da Academia Real da Suécia, da American Academy of Arts entre outras. Ele ainda participou e presidiu comissões internacionais da ONU e OMS.
Como cientista, ganhou prêmios pelos seus trabalhos sobre as patologias cromossômicas, entre os quais o Prêmio Kennedy em 1962, que recebeu diretamente das mãos do presidente John F. Kennedy. 
Apesar de todos os títulos e descobertas importantes para a ciência, o médico francês nunca chegou a ganhar um Prêmio Nobel. Lejeune chegou a falar que perdera este prêmio por ser um cientista que se posicionava contra o aborto, aliás, afirmava ser “a favor da vida”. “Se um óvulo fecundado não é, por si só, um ser humano, ele não poderia se tornar um, pois nada é acrescentado a ele”, defendia o cientista.

 O Papa João Paulo II visitou em 1997 o túmulo do professor Lejeune, que morreu em 1994. O cientista descobridor da trissomia 21 foi oponente do aborto e ativista da IgrejaFoto: AFP

Em 1971, quando fez um discurso contra o aborto noNational Institute for Health, mandou uma mensagem à sua esposa dizendo: “hoje perdi meu Prêmio Nobel”. 
Católico fervoroso, o geneticista era amigo pessoal do Papa João Paulo II, quem fez questão de visitar sua túmulo em Paris e que, por várias vezes, foi visto com o cientista.  
A poucos passos da santidade
Apesar de não ter recebido o prêmio Nobel, Lejeune poderá receber um dos maiores "prêmios" da humanidade: quase sete anos depois da abertura da causa de beatificação e canonização (realizada em junho de 2007) e vinte anos depois de seu falecimento, a etapa diocesana - que consiste em um trabalho de instrução e análise do "servo de Deus", realizado por voluntários, peritos, historiadores, cientistas e teólogos - foi finalizada. 

Agora, o processo de santificação passará por nova fase e será analisado no Vaticano.
Caso seja considerado santo, Jérôme Lejeune fará parte do raro time daqueles que defendiam tanto a Ciência, quanto a religião. Em mais de dois mil anos, o pai da genética moderna poderá estar entre os 12 médicos santos da Igreja. 
Fonte:  http://noticias.terra.com.br/ciencia/medico-que-descobriu-a-origem-do-down-pode-ser-canonizado,5fd5c68ce2525410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html

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