Fonte Bibliográfica: http://gballone.sites.uol.com.br/infantil/dm1.html
A partir do século XX começou-se a estabelecer uma
definição para o Deficiente Mental e essa definição diz respeito ao
funcionamento intelectual, que seria inferior à média
estatística das pessoas e, principalmente, em relação à dificuldade
de adaptação ao entorno.
Segundo a descrição do DSM.IV, a característica
essencial do Retardo Mental é quando a pessoa tem um “funcionamento
intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de
limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos
duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, auto-cuidados,
vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso
de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas,
trabalho, lazer, saúde e segurança”.
Essa é também a definição de Deficiência Mental
adotada pela AAMR (Associação Americana de Deficiência Mental). Na
Deficiência Mental, como nas demais questões da psiquiatria, a
capacidade de adaptação do sujeito ao objeto, ou da pessoa ao mundo,
é o elemento mais fortemente relacionado à noção de normal.
Teoricamente, deveriam ficar em segundo plano as questões mensuráveis
de QI, já que a unidade de observação é a capacidade de adaptação.
Acostumamos a pensar na Deficiência Mental como uma
condição em si mesma, um estado patológico bem definido. Entretanto,
na grande maioria das vezes a Deficiência Mental é uma condição
mental relativa. A deficiência será sempre relativa em relação aos
demais indivíduos de uma mesma cultura, pois, a existência de alguma
limitação funcional, principalmente nos graus mais leves, não seria
suficiente para caracterizar um diagnóstico de Deficiência Mental, se
não existir um mecanismo social que atribua a essa limitação um valor
de morbidade. E esse mecanismo social que atribui valores é sempre
comparativo, portanto, relativo.
Como vimos nas definições acima, Deficiência Mental
é um estado onde existe uma limitação funcional em qualquer área do
funcionamento humano, considerada abaixo da média geral das pessoas
pelo sistema social onde se insere a pessoa. Isso significa que uma
pessoa pode ser considerada deficiente em uma determinada cultura e não
deficiente em outra, de acordo com a capacidade dessa pessoa satisfazer
as necessidades dessa cultura. Isso torna o diagnóstico relativo.
Segundo critérios das classificações internacionais,
o início da Deficiência Mental deve ocorrer antes dos 18 anos,
caracterizando assim um transtorno do desenvolvimento e não uma
alteração cognitiva como é a Demência. Embora o assunto comporte uma
discussão mais ampla, de modo acadêmico o funcionamento intelectual
geral é definido pelo Quociente de Inteligência (QI ou equivalente).
Academicamente, é possível diagnosticar o Retardo
Mental em indivíduos com QIs entre 70 e 75, porém, que exibam
déficits significativos no comportamento adaptativo. Cautelosamente o
DSM.IV recomenda que o Retardo Mental não deve ser diagnosticado em um
indivíduo com um QI inferior a 70, se não existirem déficits ou
prejuízos significativos no funcionamento adaptativo.
Na Deficiência Mental, como nas demais questões da
psiquiatria, a capacidade de adaptação do sujeito ao objeto, ou da
pessoa ao mundo, é o elemento mais fortemente ligado à noção de
normal. Teoricamente, já que a unidade de observação é a capacidade de
adaptação, deveriam ficar em segundo plano as questões
mensuráveis de QI.
Segundo critérios das classificações internacionais, o início da
Deficiência Mental deve ocorrer antes dos 18 anos, caracterizando assim
um transtorno do desenvolvimento e não uma alteração cognitiva como
é a Demência. Embora o assunto comporte uma discussão mais ampla, de
modo acadêmico o funcionamento intelectual geral é definido pelo
Quociente de Inteligência (QI ou equivalente).
Academicamente, é possível diagnosticar o Retardo Mental em
indivíduos com QIs entre 70 e 75, porém, que exibam déficits
significativos no comportamento adaptativo. Cautelosamente o DSM.IV
recomenda que o Retardo Mental não deve ser diagnosticado em um
indivíduo com um QI inferior a 70, se não existirem déficits ou
prejuízos significativos no funcionamento adaptativo.
De um modo geral, resumindo, costuma-se ter como
referência para avaliar o grau de deficiência, mais os prejuízos no
funcionamento adaptativo que a medida do QI. Por funcionamento
adaptativo entende-se o modo como a pessoa enfrenta efetivamente as
exigências comuns da vida e o grau em que experimenta uma certa independência pessoal
compatível com sua faixa etária, bem como o grau de bagagem sócio-cultural
do contexto comunitário no qual se insere.
O funcionamento adaptativo da pessoa pode ser influenciado por vários
fatores, incluindo educação, treinamento, motivação,
características de personalidade, oportunidades sociais e vocacionais,
necessidades práticas e condições médicas gerais. Em termos de
cuidados e condutas, os problemas na adaptação habitualmente melhoram
mais com esforços terapêuticos do que o QI cognitivo. Este tende a
permanecer mais estável, independente das atitudes terapêuticas, até
o momento.
Baseado nos critérios adaptativos, mais que nos
índices numéricos de
QI, a classificação atual da Deficiência Mental não aconselha
mais que se considere o retardo leve, moderado, severo ou profundo, mas
sim,
que seja especificado o grau de comprometimento funcional
adaptativo.
Importa mais saber se a pessoa com Deficiência Mental necessita
de
apoio em habilidades de comunicação, em habilidades sociais,
etc, mais que em
outras áreas.
Estes critérios qualitativos (adaptativos) constituem descrições
muito mais
funcionais e mais relevantes que o sistema quantitativo (de QI) em uso
ate agora. Esse novo enfoque centraliza-se mais no indivíduo deficiente,
independentemente de seu escore de QI, sob o ponto de
vIsta das oportunidades e autonomias. Trata-se de uma avaliação
qualitativa da pessoa.
O sistema qualitativo de classificação da Deficiência Mental reflete
o fato de que muitos deficientes não apresentam limitações em todas
as áreas das habilidades adaptativas, portanto, nem todos precisam de
apoio nas áreas que não estão afetadas. Não devemos supor, de
antemão, que as pessoas mentalmente deficientes não possam aprender a
ocupar-se de si mesmos. Felizmente a maioria das crianças deficientes
mentais pode aprender muitas coisas, chegando à vida adulta de uma
maneira parcialmente e relativamente independente e, mais importante,
desfrutando da vida como todo mundo.
Classificações
A Deficiência Mental se caracteriza assim, por um
funcionamento global inferior à media, junto com limitações
associadas em duas ou mais das seguintes habilidades adaptativas:
comunicação, cuidado pessoal, habilidades sociais, utilização da
comunidade, saúde e segurança, habilidades escolares, administração
do ócio e trabalho. Para o diagnóstico é imprescindível que a
Deficiência Mental se manifeste antes dos 18 anos. As áreas de necessidades dos
deficientes devem ser determinadas através de avaliações
neurológicas, psiquiátricas, sociais e clínicas e nunca numa única
abordagem de diagnóstico.
Tipo de classificação baseado na intensidade dos
apoios necessários:
Intermitente:
O apoio se efetua apenas quando necessário.
Caracteriza-se por sua natureza episódica, ou seja, a pessoa nem sempre
está precisando de apoio continuadamente, mas durante momentos em
determinados ciclos da vida, como por exemplo, na perda do emprego ou
fase aguda de uma doença. Os apoios intermitentes podem ser de alta ou
de baixa intensidade.
Limitado: Apoios intensivos caracterizados por sua alguma duração
contínua, por tempo limitado, mas não intermitente. Nesse caso
incluem-se deficientes que podem requerer um nível de apoio mais
intensivo e limitado, como por exemplo, o treinamento do deficiente para
o trabalho por tempo limitado ou apoios transitórios durante o período
entre a escola, a instituição e a vida adulta.
Extenso: Trata-se de um apoio caracterizado pela regularidade,
normalmente diária em pelo menos em alguma área de atuação, tais
como na vida familiar, social ou profissional. Nesse caso não existe
uma limitação temporal para o apoio, que normalmente se dá em longo
prazo.
Generalizado: É o apoio constante e intenso, necessário em diferentes
áreas de atividade da vida. Estes apoios generalizados exigem mais
pessoal e maior intromissão que os apoios extensivos ou os de tempo
limitado.
Ainda baseada na capacidade funcional e adaptativa dos
deficientes, existe uma outra classificação bastante interessante para
a Deficiência Mental. Trata-se da seguinte:
Dependentes: geralmente QI abaixo de 25; casos mais graves, nos quais
é necessário o atendimento por instituições. Há poucas, pequenas,
mas contínuas melhoras quando a criança e a família estão bem
assistidas.
Treináveis:
QI entre 25 e 75; são crianças que se colocadas em
classes especiais poderão treinar várias funções, como disciplina,
hábitos higiênicos, etc. Poderão aprender a ler e a escrever em
ambiente sem hostilidade, recebendo muita compreensão e afeto e com
metodologia de ensino adequada.
Educáveis:
QI entre 76 e 89; a inteligência é dita “limítrofe
ou lenta” e estas crianças podem permanecer em classes comuns, embora
necessitem de acompanhamento psicopedagógico especial.
Portanto, de acordo com a Organização Mundial de
Saúde, em sua classificação desde 1976, as pessoas deficientes eram classificadas como
portadoras de Deficiência Mental leve, moderada, severa e profunda.
Essa classificação por graus de deficiência deixava claro que as
pessoas não são afetados da mesma forma, contudo, atualmente, tende-se
a não enquadrar previamente a pessoa com Deficiência Mental em uma
categoria baseada em generalizações de comportamentos esperados para a
faixa etária (Referência).
O grau de comprometimento da Deficiência Mental irá depender também
da história de vida do paciente, particularmente, do apoio familiar e
das oportunidades vivificadas, bem como das necessidades de apoio e das
perspectivas de desenvolvimento.
Incidência
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 10% da população em países
em desenvolvimento, são portadores de algum tipo de deficiência, sendo
que metade destes são portadores de Deficiência Mental, propriamente
dita. Calcula-se que o numero de pessoas com retardo mental guarda relação
com o grau de desenvolvimento do país em questão e, segundo estimativas,
a porcentagem de jovens de 18 anos e menos que sofrem
retardo mental grave se situa em torno de 4,6%, nos países em
desenvolvimento, e entre 0,5 e o 2,5% nos países desenvolvidos (veja
Relatório
da ONU sobre Doenças Mentais em PsiqWeb).
Esta grande diferença entre o primeiro e o terceiro mundo demonstra que
certas ações preventivas, como por exemplo a melhora de a atenção
materno-infantil e algumas intervenções sociais específicas, permitiria um
decréscimo geral dos casos de nascimentos de crianças
com Deficiência Mental.
Os efeitos da Deficiência Mental entre as pessoas são
diferentes.
Aproximadamente o 87% dos portadores tem limitações apenas leves
das capacidades cognitivas e adaptativas e a maioria deles pode chegar a levar
suas vidas independentes e perfeitamente integrados na sociedade. Os 13%
restantes pode ter sérias limitações, mas em qualquer caso, com a
devida atenção das redes de serviços sociais, também podem integrar-se
na sociedade. No Estado de São Paulo, a Federação das APAEs, através
de censo próprio realizado em 110 municípios, calcula ser de 1% da
população o número de pessoas que necessitam de atendimento
especializado (
referência).
Causas
e Fatores de Risco
Inúmeras causas e fatores de risco podem levar à Deficiência Mental,
mas é muito importante ressaltar que muitas
vezes não se chega a estabelecer com clareza a causa da Deficiência
Mental.
A. Fatores de Risco e Causas Pré Natais:
São os fatores que incidirão desde a concepção até o início do
trabalho de parto, e podem ser:
-
Desnutrição materna;
-
Má assistência à gestante;
-
Doenças
infecciosas na mãe: sífilis, rubéola, toxoplasmose;
-
Fatores
tóxicos na mãe: alcoolismo, consumo de drogas, efeitos colaterais de
medicamentos (medicamentos teratogênicos), poluição ambiental,
tabagismo;
-
Fatores genéticos: alterações cromossômicas (numéricas ou
estruturais), ex.:síndrome de down, síndrome de matin bell;
alterações gênicas, ex.:erros inatos do metabolismo (fenilcetonúria),
síndrome de williams, esclerose tuberosa, etc.
B. Fatores de Risco e Causas Peri-Natais:
São os fatores que incidirão do início do trabalho de parto até o
30º dia de vida do bebê, e podem ser:
-
má assistência ao parto e traumas de parto;
-
hipóxia ou anóxia (oxigenação cerebral insuficiente);
-
prematuridade e baixo peso (PIG - Pequeno para idade Gestacional).
-
icterícia grave do recém nascido - kernicterus (incompatibilidade
RH/ABO)
C. Fatores de Risco e Causas Pós-Natais:
Aqueles que incidirão do 30º dia de vida até o final da adolescência
e podem ser:
-
desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global;
-
infecções: meningoencefalites, sarampo,
etc;
-
intoxiações exógenas (envenenamento): remédios, inseticidas,
produtos químicos (chumbo, mercúrio);
-
acidentes: trânsito, afogamento, choque elétrico, asfixia, quedas,
etc.
-
infestações: neurocisticircose (larva da Taenia Solium).
O atraso no desenvolvimento dos portadores de Deficiência Mental
pode se dar em nível neuro-psicomotor, quando então a criança demora
em firmar a cabeça, sentar, andar, falar. Pode ainda dar-se em nível
de aprendizado com notável dificuldade de compreensão de normas e
ordens, dificuldade no aprendizado escolar. Mas, é preciso que haja
vários sinais para que se suspeite de Deficiência Mental e, de modo
geral, um único aspecto não pode ser considerado indicativo de
qualquer deficiência.
A avaliação da pessoa deve ser feita considerando-se sua totalidade.
Isso significa que o assistente social, por exemplo, através do estudo
e diagnóstico familiar, da dinâmica de relações, da situação do
deficiente na família, aspectos de aceitação ou não das dificuldades
da pessoa, etc. analisará os aspectos sócio-culturais.
O médico, por sua vez, procederá ao exame físico e recorrerá a
avaliações laboratoriais ou de outras especialidades. Nesse caso,
serão analisados os aspectos biológicos e psiquiátricos. Finalmente
psicólogo, através da aplicação de testes, provas e escalas
avaliativas especificas, avaliará os aspectos psicológicos e nível de
Deficiência Mental.
Mesmo assim, o diagnóstico de Deficiência Mental é muitas vezes
difícil. Numerosos fatores emocionais, alterações de certas
atividades nervosas superiores, alterações específicas de linguagem
ou dislexia, psicoses, baixo nível sócio econômico ou cultural,
carência de estímulos e outros elementos do entorno existencial podem
estar na base da impossibilidade do ajustamento social adaptativo
adequado, sem que haja necessariamente Deficiência Mental. (Veja o site
Entre Amigos)
Principais Diferenças entre Deficiência Mental e Autismo Infantil
|
CONDUTA
|
DEFICIÊNCIA
|
AUTISMO
|
|
Graves alterações
na conduta de interação.
|
Pouco freqüente
|
Muito freqüente,
sendo parte da definição do quadro autista.
|
|
Coordenação
visual-motriz
|
Ma habilidade
|
Boa habilidad
e
|
|
Memória na
aprendizagem de palavras.
|
Pouco freqüente
|
Muito freqüente
|
|
Ecolalia
|
Pouco freqüente
|
Muy freqüente
|
|
Adquisição
de hábitos de limpeza
|
Dificultosa
|
Mais
dificultosa ainda
|
|
Comportamento autoagressivo.
|
Pode ocorrer
|
Muito freqüente
|
|
Capacidade de
narração
|
Depende do nível
do déficit
|
Pode ocorrer
|
|
Capacidade de
atenção
|
Pode se
conseguir
|
Conduta
alterada
|
|
Evolução da
linguagem
|
Depende do nível
do déficit
|
Possível perda
funcional da lenguagem
|
|
Coeficiente
Intelectual
|
Homogeneidade
|
Baixo mas
pode ser superior ao dos deficientes
|
|
Conduta de
relação
|
Depende do nível
do déficit
|
Pouco freqüente
|
|
Alterações
morfológicas
|
Freqüente
|
Não ocorre
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário